Três crianças, duas delas irmãs, morreram afogadas anteontem de manhã numa pequena represa a cerca de 10 metros de uma estrada rural de Moreira Sales (70 km a oeste de Campo Mourão). Jéssica Dias Nascimento, 9 anos, e os irmãos Edvaldo Jesus dos Santos, 9, e Juliano Jesus dos Santos, 8 anos, voltavam de uma atividade que havia sido desenvolvida no viveiro municipal, juntamente com três professoras e outras 20 crianças, quando resolveram nadar. -
As crianças estavam sob a responsabilidade do Centro do Estudo do Menor e Integração na Comunidade (Cemic), uma creche que atende também crianças maiores de 6 anos, cujos pais trabalham fora. As três estudavam à tarde na Escola Municipal Professora Eulália de Oliveira Zarantonelli e faziam, de manhã, o chamado contraturno no Cemic.
Na segunda-feira pela manhã elas foram a pé ao viveiro municipal, a cerca de 1,5 mil metros da creche, já na zona rural, para participar de uma atividade extraclasse. Foi no retorno ao Cemic, por volta das 10 horas, que ocorreu o acidente. Segundo informações repassadas pelo delegado de Moreira Sales, Lúcio Venceslau, as três crianças correram na frente das professoras e pularam uma cerca de arame para chegar até a represa, que fica numa propriedade particular.
Jéssica teria entrado na água primeiro e perguntado quem iria nadar com ela. Edvaldo entrou em seguida e, aparentemente sem saber nadar, se agarrou em Jéssica para não afundar. Os dois começaram a se debater e quando Juliano também entrou na água para tentar ajudar os dois os três acabaram afundando.
Até ontem à tarde, o delegado não tinha a informação de se alguma das crianças sabia nadar. Um irmão de Jéssica que estava junto, de 8 anos, contou ao delegado que ainda esticou a mão para tentar ajudar a irmã, mas ela não conseguiu alcançar o braço dele. ‘‘Se ela tivesse alcançado, essa criança também poderia ter morrido’’, acredita o delegado.
Quando as professoras chegaram ao local, as três crianças ainda estavam se debatendo na água. Elas correram em busca de ajuda com moradores mais próximos, mas quando chegaram os dois primeiros rapazes, as crianças já estavam submersas. Mário Sérgio Lourenço dos Santos retirou o corpo de um dos irmãos, enquanto Djalma Machado resgatou o corpo do outro menino e de Jéssica.
Mário Sérgio foi a única pessoa que havia prestado depoimento à polícia até ontem à tarde. Ele disse que as três crianças já estavam mortas quando foram retiradas da água. Venceslau abriu inquérito para apurar a responsabilidade pelas mortes. Ele vai ouvir as professoras, a direção do Cemic e os alunos que estavam junto com elas. ‘‘Hoje (ontem) não deu para ouvir ninguém porque todos os envolvidos estão em estado de choque’’, contou o delegado. Uma das professoras chegou a ser internada num hospital da cidade.
O presidente do Cemic, Raimundo Praxedes, disse ontem à tarde que ainda não poderia comentar o caso porque não tinha mais informações a respeito. ‘‘Eu estava no meu serviço quando tudo aconteceu’’, disse. Praxedes é funcionário da prefeitura. O Cemic não funcionou ontem. O presidente disse que a diretoria ainda iria se reunir para decidir se o órgão volta ao funcionamento hoje. ‘‘Estamos todos chocados’’, afirmou.

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