Estudantes de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) tiraram o dia de ontem para brincar de médico com crianças de 2 a 6 anos do Colégio Adventista. A iniciativa integra o projeto mundial Teddy Bear Hospital, cujo objetivo é inserir e ambientar as crianças em idade pré-escolar no contexto hospitalar. Batizado no Brasil de Hospital do Ursinho, o projeto vem sendo realizado por vários estudantes de Medicina do país, e, agora, foi adotado também pela International Federation of Londrina Medical Students (IFLMS), ONG dos acadêmicos de Medicina da UEL.
A idéia é simples: as crianças são convidadas a levar o seu ursinho de pelúcia ou outro boneco para um hospital de mentirinha. ''Enviamos uma carta aos pais pedindo para que eles enviassem o bicho de pelúcia ou boneca, e ajudassem as crianças a inventar uma doença para os brinquedos'', explicou Maria Fernanda Camargo, coordenadora do projeto. ''Nosso objetivo é fazer com que as crianças percam o medo do médico. Ao mesmo tempo, os estudantes têm um contato mais próximo com as crianças e aprendem a lidar com esse medo'', afirmou.
Foram improvisadas dentro da escola as salas de espera, de atendimento, de procedimentos e até de cirurgia. O pequeno Eduardo, de 4 anos, aguardou pacientemente com seu amigo Koala na sala de espera, na companhia de outras crianças e de duas estudantes de Medicina vestidas de palhaço. ''Ele tá com dor de barriga'', explicou. Ao ser chamado, respondeu às perguntas sobre seu amiguinho e ajudou a medir o peso e a altura do Koala. Depois, em outra sala, viu o bichinho ganhar um curativo na barriga. ''Agora ele tá melhor'', afirmou, depois de receber os remédios (balas doces) para serem administrados duas vezes ao dia. Da mesma forma, Bianca, 4 anos, tratou da dor-de-cabeça da Rosinha, sua amiguinha, e Kawana cuidou da Barbie enquanto esta tomava injeção.
''As crianças têm medo de médico, até quando vou medir a temperatura elas reagem. Convidamos o grupo para fazer esse trabalho porque, assim, as crianças podem projetar esse medo nos bichinhos. Elas aprendem que dói, mas é necessário'', avaliou a professora Flávia Helena Gariani, coordenadora da Educação Infantil da escola, lembrando que às vezes são os próprios pais que ajudam a formar esse medo que as crianças têm.
Até o final do dia, 90 ''pacientes'' seriam atendidos por cerca de 40 acadêmicos do 1º ao 4º ano. ''Queremos estender esse projeto no próximo ano, atingindo principalmente as escolas públicas. Lá, vamos repassar também informações sobre higiene pessoal, como lavar as mãos e escovar os dentes corretamente'', adiantou Maria Fernanda. A ONG desenvolve ainda um trabalho para crianças dentro do Hospital Universitário, envolvendo palhaços, contação de histórias, música e artesanato.

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