Crianças levam poesias a asilo
Lucilia Okamura
De Londrina
Idosos do Asilo São Vicente de Paula, de Londrina, tiveram uma tarde especial ontem. Levando pequenas lembranças, como doces e bombons, 37 crianças com idade média de 9 anos fizeram uma visita ao asilo e divertiram os idosos declamando poesias que elas fizeram sobre o novo milênio.
Os alunos do Colégio Marista participam todos os anos de um projeto interdisciplinar cujo objetivo é fazer um livro de narrativas. Neste ano, eles resolveram escrever poesias sobre o futuro, que resultou no livro Poetas do Novo Milênio. Uma das formas encontradas para divulgar a obra foi declamar os poemas em instituições de caridade.
Ontem à tarde, os estudantes da 3ª série B estiveram no asilo. Para a maioria deles, foi a primeira visita aos 120 idosos que vivem no local. Eu queria vir aqui conhecer, disse Mariana Gonzaga, 9 anos. Ela acredita que os idosos ficaram contentes com a visita porque tiveram a oportunidade de ouvir poesias.
Sobre o trabalho que fez na escola, Mariana Gonzaga contou que está otimista quanTo ao futuro. Tanto que sua poesia fala em um amanhã com mais respeito, amor e carinho. No ano 2000, vai ser tudo mais colorido, sem guerras, sem violência, sem abandono, diz um trecho de sua poesia.
Para Felipe Moraes Laburu foi a segunda visita ao asilo. Eu faço catecismo na Paróquia São Vicente e já tinha vindo aqui, explicou. Segundo ele, a troca entre idosos e crianças é muito importante. Para as crianças é importante conhecer o asilo e é bom porque os velhinhos ficam contentes com a visita, disse.
Jovina Rodrigues da Silva, 60 anos, ouviu atentamente todas as declamações e disse que é muito bom receber visitas. Achei as poesias lindas, afirmou. E como as crianças são inteligentes, saiu tudo da cabeça delas?.
Já Alzira Carneiro, 80 anos, que disse ser repentista, surpreendeu alguns alunos ao recitar uma poesia de sua autoria que fala sobre as pessoas da terceira idade. Os idosos do fim do milênio estão muito evoluídos, gostam muito de se divertir, não querem parar no tempo. A velhice está na cabeça, mas não está no coração. Ainda temos muito amor para dar àqueles que vivem sofrendo.
Alzira Carneiro disse que adora fazer poesias e que gostou muito da visita. As crianças sempre têm algo a nos ensinar, filosofou. Nascida em Fortaleza, ela contou que mora no asilo há 10 anos. Tenho dois filhos, mas não moro com eles porque não quero incomodar.
Para a professora da turma, Fernanda Bueno, a visita foi importante para as crianças conhecerem uma outra realidade. Sobre o projeto, ela disse que os alunos surpreenderam. Sabemos que já é difícil escrever, imagine escrever uma poesia, contou.





