Fazenda Rio Grande - Baseado na ideia de construir, destruir e reconstruir, um professor da Escola Estadual Liria Micheleto Nichele, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, organizou ontem um projeto que mescla arte, protesto e um despertar para a consciência ambiental. Cerca de 600 alunos fecharam a Avenida Estados Unidos, que passa em frente ao colégio, e confeccionaram o mesmo número de mandalas. A intenção do professor e artista Guido Salton é chamar a atenção para o problema do aterro sanitário que pode ser instalado na cidade.
Depois do trabalho de cobrir todo a rua com serragem corada, tudo foi destruído. ''Com este trabalho, estamos realizando um protesto pacífico para que o aterro não venha para a cidade. A destruição significa o pão efêmero; o quão pouco somos nessa vida'', explica.
Parte do material usado na ação foi doado. O resto, comprado pelos alunos. Para confeccionar as 600 mandalas, foram usados 1,5 mil tubos de corante, 10 mil páginas de jornal e uma tonelada de serragem. Segundo o professor, tudo é biodegradável e não polui a natureza. Para Salton, a ação ajuda a colocar em pauta a dicussão do problema do lixo. ''Essa questão precisa ser revista. Defendo a ideia de que cada região tenha pequenas usinas de tratamento'', afirma.
Além de se transformar em um projeto de arte nas ruas, a discussão do novo aterro sanitário em Fazenda Rio Grande provocou uma reflexão entre os alunos e a comunidade. O estudante Welinton Mendel, de 13 anos, está na sexta série do ensino fundamental e acha necessário esse tipo de ação. ''É um protesto importante, porque ninguém em Fazenda quer o lixão. Tomara que o protesto funcione, pois acho que o lixão pode trazer doenças'', reflete o garoto.
Já o marceneiro Paulo Sérgio Amaral, que acompanhava de longe a manifestação, acredita que a iniciativa é ''perda de tempo'', mas acha importante o povo fazer sua parte. Ele, no entanto, não quer que o lixão seja instalado em Fazenda Rio Grande. ''Acho que vai prejudicar a cidade por causa do mau cheiro'', opinou.
Indefinição
A ação é mais um capítulo do impasse que envolve a escolha da área que vai receber o lixo de Curitiba e outras 15 cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. Arrastando-se há meses, ainda não existem definições sobre qual área vai substituir o Aterro da Caximba, que está com a capacidade esgotada e, segundo previsões, deve ser desativado até o meio deste ano. Entre 30 locais analisados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), três foram considerados ideais: o próprio bairro da Caximba, em Curitiba, uma área em Fazenda Rio Grande, e outra em Mandirituba, também na RMC.

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