Crianças já são 4% das vítimas da Aids
Quando descobriu que era portadora do vírus da Aids, sua primeira idéia foi a do suicídio. Depois, veio a notícia da gravidez. O marido, de quem contraiu a doença, sugeriu um aborto. Mas a decisão foi manter a filha viva a qualquer custo. Hoje, com quase cinco anos de idade, Jéssica, filha da estudante Elisabete do Rocio Chagas, 36, é uma das meninas mais saudáveis da rua onde mora, no bairro do Bacacheri, em Curitiba.
Na hora, quando eu soube da doença, foi um baque horrível. A rua inteira sabia que ele tinha Aids, menos eu. Só fui acreditar quando fiz o pré-natal. E aí me apavorei. Estava grávida e doente, conta Elisabete. Passei a gravidez inteira preocupada. A médica dizia que era uma gravidez de alto risco. Tanto que só fui começar a fazer o enxoval aos sete meses. Morria de medo de fazer tudo e a criança acabar nascendo morta. Quando com um ano ela negativou eu nem acreditei. Só agradeci a Deus.
Durante a gravidez, Elisabete diz não ter tomado nenhum tipo de medicamento, nem para ela, nem para o bebê. O que muitas mães estão fazendo sem pensar. Segundo o Ministério da Saúde, o uso do AZT pelas gestantes durante o pré-natal reduz a incidência da doença nos recém-nascidos.
Mas os números ainda não são tão satisfatórios assim. Só no Paraná, nas 22 regionais de saúde, foram registrados, de 1984 a 1998, 228 casos em crianças menores de 13 anos. E destas, 84 acabaram não resistindo à doença e morrendo em pouco tempo. A grande maioria é vítima da contaminação ainda no período perinatal. E é justamente aí que surge um dos principais problemas. Quando não é a criança que morre, são os pais, deixando desamparados os chamados órfãos da Aids.





