Traços irregulares, rabiscos, reprodução da natureza e até mesmo os super-heróis japoneses dos desenhos infantis. Essas foram algumas das produções de cerca de 40 crianças da reserva do Apucaraninha, que participaram ontem de uma oficina de arte no Centro Cultural Caingangue, em Londrina. A atividade, segundo o artista plástico Cláudio Garcia, é parte dos projetos sócio-culturais do Festival Internacional de Londrina (Filo) e integra também a programação da Semana do Índio. O objetivo, segundo ele, é resgatar através dos desenhos, conhecimentos da cultura indígena. Por isso, ele espera também contar com a participação dos adultos.
Garcia destacou que a oficina não tem um projeto específico, tanto que ontem ele distribuiu papéis e lápis de cor aos índios a fim de ganhar a confiança dos pequenos. Em contrapartida, o conselheiro indígena Moacir Campolim preparou uma ''tinta'' à base de carvão vegetal moído e óleo comestível e pintou o rosto de algumas crianças. Os desenhos, que ele definiu como ''ílucutu'' e ''iôio'', são utilizados para identificar as famílias indígenas nas festas e rituais da reserva.
O projeto não é inédito. Garcia informou que vem realizando o trabalho como parte do festival desde 2000, e já possui experiências com crianças da zona rural e distritos da cidade. A oficina terá 30 dias de duração, sendo que os 15 primeiros dias ocorrem durante este mês e os demais estão previstos para o período de programação dos espetáculos do Filo, que ocorrem de 9 a 31 de maio.

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