O SOS Criança também providencia o recâmbio (retorno) da criança à cidade de origem. Em média, 130 meninos e meninas do País inteiro são devolvidos todo mês a seus lares. Mais de 40% das crianças e adolescentes vêm de Santa Catarina, principalmente dos municípios de Itajaí, Blumenau e Joinville. A maioria foge com medo da violência dos pais ou responsáveis.
É o caso do E.M., 14 anos, que diz ter fugido de casa por problema de relacionamento com seu padrasto. ‘‘Ele ainda não encostou em mim, mas já bateu na minha mãe’’, conta o garoto, que supostamente morava com a família no distrito de Pirabeiraba, em Joinville. Abrigado na Casa do Piá, que integra o SOS Criança, ele aguarda, um tanto decepcionado, a hora de voltar.
A decepção se justifica. Na Casa do Piá, o garoto encontra afeto, comida, educação, futebol e roupa lavada. Ele caminhou vários quilômetros pela BR-101 junto com um amigo até ambos pegarem carona para chegar a Curitiba. Agora, com o retorno praticamente definido, pensa bastante para vislumbrar uma alternativa.
‘‘Vou tentar morar com a minha tia’’, avisa E.. Segundo a coordenadora do setor de recâmbio do SOS Criança, Mirles Fronza Majcazk, o caso do garoto vai ser entregue ao Conselho Tutelar de sua cidade para que o possível conflito familiar seja resolvido. ‘‘Nós checamos a situação de cada criança localizada através das denúncias por telefone, o que permite saber o motivo da fuga e dar o encaminhamento certo’’, afirma.
Quando a criança é menor de 12 anos e não tem documento, um acompanhante do SOS viaja junto. ‘‘Normalmente, fazemos o embarque em Curitiba e acertamos a presença de um representante do Conselho Tutelar na rodoviária do município para onde vai o menino’’, explica Mirles. Ela diz que as fugas são raras. ‘‘Só ocorrem durante uma parada do ônibus quando a criança que viaja sozinha já tem um vínculo com a rua’’, diz. (D.J.)

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