Cerca de 60 crianças do Distrito Rural de Guaravera (Zona Sul de Londrina) iniciaram o ano letivo em salas improvisadas, num espaço onde antigamente funcionava o posto de saúde da região e distante três quadras da escola. O motivo do remanejamento temporário, que tem gerado desconforto para as crianças e professores, ocorre por conta da superlotação da Escola Municipal John Kannedy, que há cerca de 10 anos espera por uma ampliação e reforma.
O prédio da escola é de 1961 e, em 1975, a instituição ganhou mais duas salas. Hoje, a escola, que tem 12 salas, conta com 900 alunos da educação infantil ao ensino fundamental.
No antigo posto de saúde, estão alocadas os alunos mais novos, que estudam em quatro turmas, do pré à terceira série. ''Tivemos que trazê-las pra cá por conta da superlotação, principalmente no período da tarde. Enquanto não for construído um novo espaço, as crianças continuarão estudando nessas condições. Aqui em Guaravera é assim. Enquanto existir pessoas dando um jeito para tudo, as condições continuam como estão'', reclamou o diretor da escola, Jonas Ferreira Cutisque.
No final do ano passado, um grupo de alunos e professores esteve na Câmara Municipal com o intuito de acompanhar a votação do Orçamento do município, em que duas emendas previam a reforma do prédio atual e a construção de um novo. A professora Giselda Moraes lembrou que a mobilização da comunidade escolar conseguiu a desapropriação de um terreno ao lado da escola, para a ampliação, mas a área continua vazia. Hoje, a área está com mato alto e lixo acumulado.
''Temos salas aqui com mais de 45 anos. A estrutura está muito ruim. Tem piso que não aguenta mais, sem contar que quando chove tudo fica molhado por dentro'', afirma Giselda.
Insatisfeita com as condições dos alunos que estão estudando no antigo posto de saúde, a professora Tieko Miyabe Utimada disse que em dias de chuva, o transtorno é ainda maior. ''Na hora do intervalo temos que sair cinco minutos antes para chegar até a escola para que eles possam tomar lanche. Acabamos perdendo tempo com as aulas'', disse.
A secretária municipal da Educação, Carmem Baccaro Sposti, disse que a prefeitura está ''trabalhando com o projeto'' para conseguir a construção de um novo prédio ao lado da escola. Segundo ela, o novo espaço pertencerá ao município e o antigo passará para o Estado, que deve atender alunos de 5 a 8 séries. ''Tivemos problemas de atraso com a licitação e a greve do ano passado também acabou dificultando o processo. Temos trabalhado com as prioridades, mas a escola de Guaravera não foi esquecida, estamos trabalhando para isso'', explicou.

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