Jacarezinho - Enquanto milhares de escolas do Paraná estão com o ritmo de aulas a pleno vapor, justamente em uma das mais novas delas as atividades foram interrompidas para reformas, e os alunos, obrigados a aguardar em casa o retorno aos livros e cadernos. A Escola Municipal Ismênia de Lima Peixoto, de Jacarezinho (Norte Pioneiro) foi inaugurada com muita festa em fevereiro deste ano e interditada no dia 10 do mês passado, por apresentar problemas na estrutura de madeira do forro.
Os problemas no prédio de mais de mil metros quadrados, localizado na Vila Scylla, foram denunciados por pais de alunos, ao perceberem que o forro estaria cedendo. Segundo o presidente da Câmara de Vereadores do município, José Izaías Gomes (BEM), que protocolou pedido de interdição da escola junto ao Ministério Público, parte da estrutura estava rebaixada e havia risco de desabamento. A instituição atende 540 alunos de 1 a 4 série e com exceção das quatro turmas do último ano, que foram remanejadas para colégios estaduais da cidade, todos estão há 24 dias sem aula.
''Desde o início da obra havia denúncias de que os materiais utilizados não estavam de acordo com as especificações do edital de licitação, mas diante da garantia do engenheiro do município de que tudo estaria nos conformes, deixamos que a construção fosse adiante'', informou Gomes. De acordo com o vereador, o projeto previa o uso de madeira vermelha (madeira de lei) e telhas duplas ou portuguesas, o que não aconteceu. ''Usaram telha francesa, de segunda qualidade, e madeira branca, que não é de lei'', afirmou.
O vereador contratou uma outra construtora do município, para vistoriar a obra, e o laudo destaca materiais diferentes dos pedidos em editais. Em vez de vigas 6x20 de peroba, por exemplo, teriam sido utilizadas vigas 6x12 de pinho. Gomes acredita que a reforma que vem sendo feita não vai resolver definitivamente o problema. ''A obra não vai ficar boa. A escola teria que ser totalmente descoberta e receber novo madeiramento.'' Fotografias feitas dias atrás na escola mostram que as vigas dos vãos centrais e dos apoios estão recebendo reforços do tipo ''sanduíche''.
O engenheiro civil Avanilton Prado, responsável pela empresa Esconorte, que venceu a licitação para a construção da escola, confirmou que toda a estrutura foi feita em pinho, mas disse que trata-se de madeira de lei, muito utilizada nas construções do Sul do País. ''Em nenhum momento houve negligência de nossa parte. Há questões como a resposta não esperada da madeira que diz respeito à própria natureza. É difícil apontar a causa (do problema), o que podemos afirmar é que não estamos medindo esforços para evitar possíveis danos e resolver a situação o mais rápido possível'', argumentou o engenheiro.
Prado afirmou ainda que em pontos localizados houve 'selamentos' de peças do madeiramento em função da natureza da madeira, que, garantiu, está dentro das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). ''Quando adquirimos um grande lote de madeira, pode acontecer de não vir 100% curada'', justificou.

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