Crianças estão mais expostas a intoxicações
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sábado, 04 de julho de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O descuido dos adultos não é o fator que, sozinho, explica as ocorrências de intoxicações de crianças no ambiente doméstico. A situação é muito mais complexa do que parece. Segundo o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário (HU) de Maringá os riscos de acidentes perigosos às vezes fatais nos primeiros anos de vida são potencializados por diversas situações. Entre elas estão o fácil acesso às sobras que se acumulam nas gavetas e a forma de apresentação dos medicamentos; a enorme variedade de substâncias químicas que surgiram nas últimas décadas; deficiências na fiscalização; e a reutilização de embalagens comuns, como as garrafas plásticas de refrigerantes, por exemplo.
As intoxicações domésticas atingem tanto adultos quanto crianças, mas os mais pequenos com até quatro anos são as vítimas mais frequentes. No início da última semana, um caso trágico envolveu duas irmãs de Goioerê, que ingeriram um inseticida que estava guardado em uma garrafa pet. A menina de 2 anos e meio faleceu poucas horas depois e a outra, com um ano e meio, permanece internada em estado grave no HU, em Maringá. As crianças estavam sob os cuidados de uma vizinha.
A enfermeira e coordenadora do CCI de Maringá, Magda Lúcia Felix de Oliveira, advertiu que em hipótese alguma a culpa pela intoxicação de crianças deve ser imputada apenas aos pais ou responsáveis. Para comprovar sua fala, ela citou que a maioria dos acidentes não acontece na residência da criança, mas na casa de avós, tios e vizinhos. E a seriedade da intoxicação não tem, necessariamente, relação com o grau de toxicidade das substâncias, mas sim com o tempo de exposição e à quantidade do produto.
Magda explicou que os acidentes também se tornaram mais comuns pelo fato de que hoje existem quatro vezes mais substâncias químicas do que havia 40 anos atrás. Basta dar uma olhada rápida nas gôndolas de produtos de limpeza e higiene dos supermercados. Isso ampliou muito o contato com as substâncias que, muitas vezes, não vem acompanhado dos cuidados necessários. Ela apontou que pior ainda são os produtos sanitários vendidos clandestinamente em embalagens conhecidas das crianças e com aparência e cheiro de líquidos como sucos e iogurtes: A garrafa pet é problema muito sério em termos de vigilância sanitária, porque muitos produtos químicos se parecem com refrigerantes, por exemplo.
Com as embalagens de medicamentos a situação é similar. As apresentações de muitos comprimidos são parecidas com balas e pastilhas, o que confunde as crianças. Outro problema é que a quantidade é quase sempre maior do que a necessária para o tratamento e as sobras acabam indo para as gavetas. Nossa luta é para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária exija que os fabricantes mudem as embalagens, criticou a coordenadora do CCI.
Foi a cor vermelha de uma drágea de antibiótico que atraiu o pequeno Pedro Otávio, hoje com oito anos, quando ele tinha quatro anos. O menino achou três unidades no chão da casa de um tio e as ingeriu. Ele ficou com os lábios brancos e disse que tinha comido balas. Levei-o até o hospital e foi preciso fazer lavagem estomacal. Ele ficou um dia internado, contou a mãe, Patrícia Eugênia, que tem outra filha de 10 meses. Em casa não deixo nada ao alcance deles, mas na casa dos outros é difícil controlar, argumentou. Com o início das férias escolares e maior permanência das crianças em casa, os cuidados devem ser redobrados.


