Crianças esperam adoção apesar da fila de pais
James Alberti
O Paraná tem 342 crianças a espera de adoção nos cadastros da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Seja). Na fila de pais, porém, estão 806 casais. Destes, 256 são estrangeiros. Desde o começo do ano, foram concluídas 49 adoções para casais brasileiros e nove para estrangeiros, segundo o juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Fabian Schweitzer. Os processo, de modo geral, duram entre quatro e seis meses.
O número de casais que se candidata à adoção, no entanto, é sempre superior ao de crianças doadas. No ano passado, 154 casais estrangeiros foram habilitados para adoção. Mas somente 52 crianças estavam à disposição da adoção internacional. Destas, 42 foram adotadas por pais de sete países: Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália e Noruega. Outras 232 foram adotadas por casais nacionais, que têm preferência em relação aos estrangeiros. Embora não seja proibida, a adoção por solteiros tem certas restrições. Observamos os interesses da criança, justifica o juiz. Nenhum casal de homossexual, segundo ele, foi habilitado para a adoção.
Todos os casais que se habilitam à adoção, afirma Schweitzer, passam por uma seleção, feita por uma equipe multidiciplinar do Ministério Público. Os casais estrangeiros, conforme o juiz, passam por duas seleções. A primeira acontece no país de origem dos pais. Entidades conveniadas com a Seja selecionam os pais, com critérios semelhantes aos brasileiros. Não há casais que se habilitem diretamente no Brasil, explica o juiz. Somente depois da pré-seleção em seu país é que o casal estrangeiro passa a fazer parte dos cadastros da Seja.
Ao contrário do que se possa imaginar, segundo Schweitzer, os pais adotivos estrangeiros não possuem preferência em relação aos brasileiros. Eles somente podem adotar um bebê, afirma o juiz, depois que todas as possibilidades de adoção por um casal nacional sejam esgotadas. Depois da adoção, as crianças ainda passam por um estágio de adaptação de 30 dias na casa dos estrangeiros. Caso não se adapte, ela pode retornar ao Brasil.





