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Crianças especiais aprendem a lutar em Cambé

Projeto ensina judô, taekwondo e luta olímpica para alunos com limitações de escolas municipais

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Cambé - Ainda que haja limitações, disciplina, respeito e espírito esportivo são habilidades que podem ser aprendidas por qualquer pessoa. É o que mostra os projetos Judô para Todos e Wrestling para Todos, que ensinam luta para crianças especiais de Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Ao todo, 65 alunos de seis escolas municipais participam das aulas uma vez por semana. Além do trabalho intelectual e físico, o ensino de judô, taekwondo e luta olímpica tem promovido inclusão social e qualidade de vida para quem sempre fica à margem das atividades sociais. 


Crianças especiais aprendem a lutar em Cambé
Gina Mardones - Grupo Folha
 


O ônibus amarelo da prefeitura encosta do lado de fora da Escola Municipal de Lutas de Cambé, espaço designado para o ensino de diversas lutas oferecido para a comunidade de forma gratuita. Para os pequenos, o tatame é gigante. Cada um coloca o quimono, alguns com ajuda da professora, e partem para o que lhes parecem uma nova brincadeira, mas é educação. 




“Eu acho que é um agente transformador, principalmente no caso da inclusão, porque eles têm suas limitações, se percebem como diferentes de outras pessoas e sofrem com isso. Então, a inclusão é o momento em que eles são reconhecidos, que vão para torneios, se divertem e ganham medalhas”, conta o sensei Marcelo Missaka. 


Pedro Henrique Mendes, 12, já coleciona oito delas. “Estou gostando muito das aulas, o professor é legal e meus amigos são legais. O que eu mais gosto é de derrubar o colega no tatame”, fala com diversão. O garoto é estudante da Escola Municipal Alvorada, tem aula de judô todas às manhãs de quartas-feiras e está na faixa cinza. “Eu melhorei muito na luta, estou na faixa cinza, mas já vou mudar para a outra esse ano ainda”, revela. Para ele, participar dos torneios é gratificante. “Participei de vários, na hora é bem emocionante”, sorri ofegante pelo término das atividades. 


Para o professor, o trabalho traz melhora da autoestima e autoimagem, mas também passa conceitos de cuidados pessoais, higiene e autonomia, além de melhoras no aspecto motor e intelectual de cada um. No entanto, comenta ter sido um desafio iniciar uma turma com apenas crianças especiais e trabalhar com diversas limitações diferentes.  


“A gente tinha que desenvolver metodologia de trabalho específica e colocar conceitos do judô, como disciplina, respeito, educação e a dinâmica foi aumentando até levarmos para competição. Eles não têm como competir, mas eu convoquei amigos faixas pretas para se apresentarem com eles e é um momento muito bacana em que outros atletas querem tirar fotos e lutar com eles, então essas crianças se sentem muito valorizadas”, afirma Missaka.  


O projeto é uma iniciativa da prefeitura por meio das secretarias municipais de Educação e a do Esporte. A primeira, responsável pelas aulas e transporte, com ônibus gratuito adaptado que leva e busca as crianças das escolas para o local; a segunda cede o espaço com ambiente fechado e protegido, com segurança, cozinha, biblioteca, banheiros adaptados, entre outros.  


SEMPRE PRESENTE


Nos torneios, pais e amigos participam para dar aquela força, mas quem está sempre presente é a professora Célia Regina Mendonça, responsável pela classe especial da Escola Municipal Alvorada. “Eu gosto de estar muito presente com eles e quando viemos para o projeto eu perguntei se poderia participar também, como aluna mesmo. Eu me envolvi tanto que hoje eu me pergunto ‘por que eu não fiz isso antes?’”, ri com o próprio entusiasmo.  


Quando o ônibus chega com os alunos, ela entra para a fila, coloca seu quimono e participa de todas as atividades. “Eu mudo de faixa também, estou na faixa cinza, mas nós vamos para a azul agora e estou toda orgulhosa por mim e por eles. A família nem acredita que estou fazendo isso”, comenta.  


 Desde que eles iniciaram o projeto, em março de 2018, não deixaram de frequentar uma aula, o que a professora entende ter sido fundamental para o desenvolvimento deles fora do esporte. “As crianças participam com entusiasmo, a gente percebe uma motivação maior para que eles venham para a escola, para o judô e participam das atividades. Faz bem tanto na parte mental quanto na parte física.  Aqui eles têm que prestar atenção nas orientações e se concentrar nas atividades e isso melhorou muito o desenvolvimento deles em sala de aula também”, defende a professora. 



SAIBA MAIS

A Escola Municipal de Lutas de Cambé está aberta para toda a comunidade desde fevereiro de 2018. Atualmente, são 14 turmas entre taekwondo, judô e luta olímpica. Os interessados em participar das aulas de forma gratuita devem ir até o local, na rua Caçadores, 680, no jardim Santo Antônio, ou entrar em contato com a secretaria de Esportes, pelo telefone (43) 3174-0275. 




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