Nem todas as famílias têm a sorte de serem atendidas pelos programas públicos. Andando por alguns minutos nas ruas do Centro de Curitiba é possível encontrar meninos que andam em grupo, cheirando cola e furtando pessoas à vista de todos. As crianças menores aparecem acompanhadas da família. Os próprios pais ensinam as crianças a pedir esmolas e a viver nas ruas.
Rosicléia Mendes tem cinco filhos e o marido é catador de papel. Ela diz que não é atendida por nenhum programa da prefeitura, mas às vezes recebe uma cesta básica. Quando não tem o que comer, Rosicléia parte para o Centro com as crianças, com idades entre 2 e 13 anos, e também os sobrinhos. Nenhuma delas vai à escola. ‘‘Nossa casa pegou fogo e estamos passando por muita dificuldade, não tem outro jeito’’, afirma. Segundo ela, as crianças vendem balas e, em último caso, pedem esmola. ‘‘Prefiro que eles peçam do que roubem’’, diz.
Enquanto a mãe conversa, as crianças tomam banho no chafariz da Praça Osório. A filha mais velha, Priscila, de 13 anos, toma banho de calcinha junto com vários meninos. Ela só foi para a escola até o segundo ano primário e diz que tem saudade das aulas de Matemática. Os irmãos também começaram a estudar, mas logo pararam.
Priscila conta que vários amigos da rua já apanharam da polícia, mas diz que não tem medo. A conversa é interrompida quando ela vê dois policiais se aproximando e grita: ‘‘Olha os gamb钒. A família toda, inclusive a mãe, sai correndo, enquanto os meninos, ainda sem roupa, se vestem sob o olhar dos policiais.
A diretora do departamento de Integração Social da Secretaria Municipal da Criança, Ângela Mendonça, diz que a cidade ainda tem bolsões de pobreza que apresentam problemas mais críticos. É o caso da Vila Parolim, onde vive a família de Priscila. (M.K.)

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