Crianças enfrentam 'vestibular' para 5 série
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segunda-feira, 11 de novembro de 2002
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Nervosismo, angústia, apreensão, expectativa, esses eram alguns dos sentimentos experimentados pelas 258 crianças, de cerca de 10 anos, que participaram ontem de manhã de um ''vestibular'' bem concorrido: o teste seletivo para ingresso na 5 série realizado pelo Colégio de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os pais, apesar de também estarem um pouco nervosos, tentavam acalmar e incentivar os filhos. São apenas 35 vagas, média de 7,38 candidatos por vaga, concorrência igual a de alguns cursos do vestibular.
A prova é elaborada com base nos contéudos do currículo básico de ensino do Paraná de 1 a 4 série. Maria Jachstet, mãe de Carlos Henrique, afirmou ser uma preocupação que desde pequenas as crianças tenham que sofrer pressão. ''Optei por esse colégio pela qualidade de ensino que ele oferece, mas é realmente uma pena que as crianças tenham que sofrer essa pressão desde cedo'', disse. Carlos Henrique contou que estava um pouco nervoso, mas que tinha vontade de passar. ''Eu não estudei para a prova, mas na escola que eu estudo (Escola Estadual Carlos Dietz) a gente estudou para fazer as provas do MEC (Ministério da Educação e Cultura). Então acho que estou um pouco preparado.''
Márcia Borges, mãe de Loren, escolheu inscrever a filha para fazer o teste por considerar o Aplicação um dos melhores colégios estaduais da cidade. ''É claro que a prova deixa a criança um pouco tensa, mas acho que ainda é uma forma mais justa de escolha. A gente precisa entender também o outro lado. Como o colégio vai selecionar os que vão entrar? São poucas vagas para muita procura'', ressaltou. Loren disse estar bastante nervosa. ''Eu não estudei em casa, mas me esforcei bastante na escola (Escola Municipal Miguel Bespalhok). Vou tentar fazer uma boa prova para passar.''
Enquanto esperavam o diretor do Colégio, Edmilson Lenardão, chamar os nomes e indicar as salas onde as provas iriam ser feitas, sentia-se aumentar a tensão dos pequenos. Homero Amaral, vice-diretor do Colégio, explicou que a escola não tem espaço físico para atender mais que o número atual de alunos, 820 nos três turnos. De 1 a 4 série do fundamental, as aulas são ministradas em um prédio no campus da UEL, na zona sul de Londrina. Os estudantes de 5 a 8 série e ensino médio estudam no Colégio de Aplicação localizado no centro da cidade.
Amaral disse que nesta semana será colocada em discussão a abertura de mais uma turma de 5 série, assim o número de vagas passaria de 35 para 70. ''Essa proposta será levada ao conselho, se for aprovada os alunos que participaram do teste preencherão as vagas abertas.'' Segundo o vice-diretor, o teste consta do regimento interno da escola. ''Não é a forma ideal, mas é o que se pode fazer.''
Em alguns anos, a matrícula foi feita por ordem de chegada, as famílias ficavam três, quatro dias debaixo de sol e chuva para tentar garantir uma vaga no colégio. ''Nós trocamos um teste de resistência física por um teste de habilidade intelectual, acredito que foi melhor'', afirmou. O resultado será divulgado no dia quatro de dezembro.


