Crianças embarcam rumo à realização de seus sonhos
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de dezembro de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
A emoção de voar pela primeira vez foi experimentada, ontem, por 31 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade atendidas pela Casa Acolhedora. Até a chuva deu uma trégua para o sol iluminar a experiência que, acreditam os voluntários que proporcionaram o voo, pode alimentar sonhos e transformar vidas.
O evento foi planejado pelo superintendente da Infraero, Marcos Vinícius Pio, que sensibilizou o empresário e piloto Celso Iombriller, da Viaer Aviação, a doar o passeio. Os dois fazem parte de um grupo de pessoas ligadas à aviação que colaboram com a entidade localizada no Jardim Universidade (Zona Oeste). Paramentado com gorro de Papai Noel, o próprio Celso comandou o avião.
Não imaginava que tinha tanta piscina em Londrina, contou empolgada Maria Eduarda Praxedes, 9, assim que desceu da aeronave após sobrevoar Londrina. Para ela, a parte mais emocionante foi experimentar a sensação de descer muito rápido, numa manobra cuidadosamente pensada pelo piloto para surpreender. Fiquei nervosa, mas quero ir de novo.
As expressões faciais captadas pelo fotógrafo da FOLHA durante o voo de Igor Marcelo Galvão Rosa, 12, dizem mais sobre as emoções vivenciadas pelo garoto que qualquer tentativa de explicação. Foi muito diferente do que imaginei, consegui ver as nuvens e muitas casas, disse ele, que como a amiga Maria Eduarda, gostou da rápida descida da aeronave.
Graziela Malin, 14, nunca tinha visto um avião de perto e, ansiosa antes de embarcar, lutava contra o medo de cair. No retorno do primeiro voo da vida, ela esqueceu os temores e aproveitou a sensação de plena felicidade. Senti muito frio na barriga, mas foi ótimo. Conheço pouquíssimas pessoas que já andaram de avião. Ter essa experiência com 14 anos é uma oportunidade única.
As declarações das crianças só confirmaram as expectativas de Iombriller, Pio e outros voluntários que possibilitaram o passeio. A proposta é mostrar que, independentemente das condições, é possível buscar novas formas de vida. Através do trabalho, dá para fazer curso de piloto, comissário, mecânico e outras profissiões ligadas à aviação. Quem batalha sempre vence, disseram.
A assistente social Joseane Dias Quilles, coordenadora da Casa Acolhedora, explicou que as crianças participantes foram premiadas pelas boas notas, comportamento exemplar e qualidade de uma redação elaborada sobre aviação. O mérito é deles, avaliou. Para ela, o impacto do voo na vida de cada um é imensurável. O que para eles era inatingível transformou-se em sonho realizado. Através dessa experiência, queremos abrir portas para novos sonhos.


