A emoção de voar pela primeira vez foi experimentada, ontem, por 31 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade atendidas pela Casa Acolhedora. Até a chuva deu uma trégua para o sol iluminar a experiência que, acreditam os voluntários que proporcionaram o voo, pode alimentar sonhos e transformar vidas.
  O evento foi planejado pelo superintendente da Infraero, Marcos Vinícius Pio, que sensibilizou o empresário e piloto Celso Iombriller, da Viaer Aviação, a doar o passeio. Os dois fazem parte de um grupo de pessoas ligadas à aviação que colaboram com a entidade localizada no Jardim Universidade (Zona Oeste). Paramentado com gorro de Papai Noel, o próprio Celso comandou o avião.
  ‘‘Não imaginava que tinha tanta piscina em Londrina’’, contou empolgada Maria Eduarda Praxedes, 9, assim que desceu da aeronave após sobrevoar Londrina. Para ela, a parte mais emocionante foi experimentar a sensação de descer muito rápido, numa manobra cuidadosamente pensada pelo piloto para surpreender. ‘‘Fiquei nervosa, mas quero ir de novo.’’
  As expressões faciais captadas pelo fotógrafo da FOLHA durante o voo de Igor Marcelo Galvão Rosa, 12, dizem mais sobre as emoções vivenciadas pelo garoto que qualquer tentativa de explicação. ‘‘Foi muito diferente do que imaginei, consegui ver as nuvens e muitas casas’’, disse ele, que como a amiga Maria Eduarda, gostou da rápida descida da aeronave.
  Graziela Malin, 14, nunca tinha visto um avião de perto e, ansiosa antes de embarcar, lutava contra o medo de cair. No retorno do primeiro voo da vida, ela esqueceu os temores e aproveitou a sensação de plena felicidade. ‘‘Senti muito frio na barriga, mas foi ótimo. Conheço pouquíssimas pessoas que já andaram de avião. Ter essa experiência com 14 anos é uma oportunidade única.’’
  As declarações das crianças só confirmaram as expectativas de Iombriller, Pio e outros voluntários que possibilitaram o passeio. ‘‘A proposta é mostrar que, independentemente das condições, é possível buscar novas formas de vida. Através do trabalho, dá para fazer curso de piloto, comissário, mecânico e outras profissiões ligadas à aviação. Quem batalha sempre vence’’, disseram.
  A assistente social Joseane Dias Quilles, coordenadora da Casa Acolhedora, explicou que as crianças participantes foram premiadas pelas boas notas, comportamento exemplar e qualidade de uma redação elaborada sobre aviação. ‘‘O mérito é deles’’, avaliou. Para ela, o impacto do voo na vida de cada um é imensurável. ‘‘O que para eles era inatingível transformou-se em sonho realizado. Através dessa experiência, queremos abrir portas para novos sonhos.’’

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