Londrina – Dos 372 casos de dengue confirmados em Londrina entre 1º de janeiro e 2 de abril, 29 foram identificados na Vila Nova e em bairros próximos, na região central da cidade. A informação foi repassada pela coordenadora da equipe de endemias que atua no bairro, Andreia Bernardo. Com o aumento no número de confirmações, a comunidade decidiu se mobilizar e reforçar os cuidados básicos para evitar focos do Aedes Aegypti. "Começamos a organizar a ação há duas semanas quando ainda estávamos com 15 casos confirmados", destacou. Até o início de abril, 68 moradores foram notificados como casos suspeitos da doença.
Na manhã de ontem, alunos da Escola Estadual Rui Barbosa, Colégio Estadual Nilo Peçanha, Escola Mundo Encantado e Instituto Pedagógico da Criança (IPC) fizeram uma passeata pelas ruas da Vila Nova para lembrar a importância do combate à dengue. "Eu nunca peguei dengue, mas já vi muitas pessoas que pegaram. Acho que todo mundo precisa ter cuidado. Tem gente que já morreu com isso. Em casa tenho dois cachorros e a gente sempre troca a água dos potes para não virar foco de dengue", contou a estudante Samila Oliveira, de 13 anos.
Estudantes, professores, agentes de endemias e moradores fizeram parte de um grupo, de aproximadamente 200 pessoas, que distribuiu panfletos para a comunidade. "Antes da passeata nos organizamos junto com as pedagogas em função da importância de conscientizarmos os alunos sobre a dengue. Trabalhamos esse tema e os alunos menores fizeram cartazes em sala de aula", explicou a professora Cléia de Fátima Alves.
A ação foi realizada com a ajuda da educadora em Endemias, Lucimara Vasconcelos, que entrou em contato com as escolas do bairro para reunir o grupo contra a dengue. "Os cuidados precisam ser mantidos mesmo no frio, já que o mosquito continua se reproduzindo. Com os índices altos de infestação, é preciso manter um trabalho constante de combate", lembrou.
A coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins, ressaltou que a cidade conta com 252 agentes de endemias, número suficiente para a realização das ações de combate ao Aedes Aegypti. "O Ministério da Saúde preconiza que cada agente deve ser responsável pela vistoria frequente de 800 a até mil imóveis. Temos, aproximadamente, 220 mil imóveis em Londrina. A quantidade de agentes está dentro dessa média", garantiu.
Mesmo com as vistorias, os casos de dengue estão cada vez mais frequentes. Cansada de esperar a colaboração da comunidade, uma professora aposentada que mora na Vila Nova decidiu limpar uma vez por semana a praça em frente ao Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Rua Grajaú. Há dois anos, Neide (que preferiu não revelar o sobrenome) recolhe latas vazias, copos plásticos e outros itens que podem acumular água parada. "Até folha de coqueiro com água pode se tornar foco de dengue. Tinha algumas aqui até a semana passada. Hoje tirei água parada até dos sacos de lixo que colocaram nos cestos. Isso não pode acontecer", destacou. O grupo com poucas voluntárias realiza o mutirão todas as segundas-feiras. "Durante a semana, quando a gente vê alguma coisa no chão, também recolhe para não acumular", explicou a moradora Milza Storrer.

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