Crianças do Vista Bela pedem ajuda
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

A compra de material escolar é uma das despesas de início de ano que mais sobrecarregam o orçamento familiar. A lista de itens é extensa e por mais que se faça pesquisa de preços, o valor final sempre pesa no bolso. Para quem tem vários filhos em idade escolar e vive apenas com a renda do Bolsa Família, comprar todos os materiais solicitados pelas escolas é quase impossível. A ASA (Ação Solidária Adventista), que atua no Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina), está com uma campanha de arrecadação de material escolar para atender 25 crianças que começam as aulas na semana que vem, mas não têm nada além da vontade de estudar.
As mães das crianças são assistidas pela ASA ao longo de todo ano e enfrentam uma dura realidade na qual várias dificuldade se sobrepõem. Doenças físicas e emocionais, violência doméstica, dependência química, desemprego e todo tipo de privação decorrente da falta de dinheiro. Garantir a permanência das crianças nas escolas é o caminho mais seguro para que, no futuro, possam construir uma vida diferente da dos seus pais. "Atendemos famílias com cinco, sete crianças. Os pais não têm renda e, muitas vezes, os filhos não têm roupas e calçados para ir à escola. Chegam sujos, maltratados, sofrem bullying por isso. O Vista Bela é um bairro marginalizado, as pessoas têm preconceito com quem mora aqui", comentou a diretora da ASA no Vista Bela, Sandra Maria de Souza.
Garantir doações de roupas, alimentos, atendimento jurídico e apoio emocional são preocupações constantes da ASA com as famílias cadastradas. A associação realiza um trabalho voluntário direcionado às mulheres, que uma vez por semana, durante uma hora e meia, se reúnem na Igreja Adventista do bairro para trocar experiências, se fortalecerem e conseguirem superar as adversidades da vida. "Nosso objetivo é formar um clube de mães. Logo vamos começar com cursos de pintura em tecido, crochê e corte e costura para capacitar essas mulheres."
Em datas comemorativas, como Dia da Mulher, Dia das Mães, Dia das Crianças e Natal, a entidade também se mobiliza para arrecadar doações e não deixar o dia passar em branco. No início do ano letivo, o esforço é para conseguir doadores de material escolar e roupas novas para as crianças se sentirem motivadas a estudar.
Souza reuniu as listas distribuídas aos alunos do ensino fundamental e fez um levantamento de valores em uma loja do bairro, onde o proprietário garantiu desconto de 10% no preço final, além de parcelamento. Ainda assim, o preço ficou muito acima do que as famílias podem pagar. Dependendo da série, a lista completa custa entre R$ 100 e R$ 200.
"Nossa intenção é conseguir padrinhos solidários. As crianças vão se sentir valorizadas e as mães também. É importante investir nessas crianças agora porque daqui a cinco anos vai fazer a diferença. Se elas forem para a escola agora, elas não vão para o crime mais tarde", disse a assistente voluntária da ASA, Rita de Cássia Barbosa, mãe de cinco filhos, três em idade escolar. "A gente não está implorando. A gente quer tocar o coração das pessoas. A gente foca na prevenção. Queremos garantir o futuro dessas crianças. Se ela tiver incentivo para o que é bom, não vai para o mal."
Barbosa, que já participou de oficinas de hip hop no bairro e sabe da importância do incentivo a projetos que direcionem o interesse das crianças e adolescentes para atividades artísticas, culturais e esportivas como forma de impedir que entrem na marginalidade, defende o estabelecimento de parcerias que garantam ajuda sistemática aos moradores do Vista Bela. "O caminho é um ser humano ajudando outro ser humano. Pessoas que se preocupem com o futuro dessas pessoas."
As aulas começam na próxima segunda-feira (4) e, até agora, todas as doações recebidas cabem em uma sacola plástica. São alguns cadernos, lápis, apontadores e outros itens que, somados, não atendem integralmente um único aluno. Quem quiser colaborar, pode entrar em contato com Sandra de Souza, pelo telefone (43) 98499-3348, ou com Rita Barbosa, no número (43) 99818-8064.



