Crianças do Anália Franco aprendem inglês
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terça-feira, 11 de março de 2008
Marta Ortega<BR>Reportagem Local 
Um projeto inédito pode mudar a realidade de crianças que moram no Lar Anália Franco. Investimentos na área de educação, que devem, futuramente, fazer a diferença na vida de cada uma delas, estão chegando de longe, trazidos por professores americanos que vão ensinar inglês para internos de seis a 15 anos. No total, quarenta crianças estão frequentando as aulas que já tiveram início esta semana.
O projeto foi criado pela reitora da San Diego University For Integrative Studies, Cristina Bortoni Versari, nascida e criada em Londrina e que está há 27 anos na Califórnia, onde fundou a Universidade, em 1999. A San Diego University mantém professores americanos especializados no ensino de inglês para estrangeiros, com alunos espalhados por todo o mundo. No Brasil, a universidade já atende alunos, principalmente, no Rio de Janeiro, São Paulo e na região Sul.
Em Londrina, o projeto começa grande. A cada três meses, os professores enviados pela San Diego vão se revezar para ensinar a língua aos internos. A primeira professora, Megan Hilton, 28 anos, cumpre uma carga horária de quatro horas diárias, divididas em três turmas, pela manhã e tarde, de acordo com a idade das crianças.
Com experiência no ensino de línguas para crianças e adolescentes, Megan acredita que o novo idioma vai fazer uma grande diferença na vida das crianças. 'Não somente pelo aprendizado da língua, mas pelas oportunidades futuras''.
O trabalho é desenvolvido de forma natural e tem resultado rápido. ''As crianças não se dão conta de que estão aprendendo. Para elas, estão apenas se divertindo'', afirma Megan. Todo o material utilizado no curso é fornecido pela própria Universidade San Diego, que banca todas as despesas.
O inglês não é novidade para as crianças do Lar Anália Franco, porque elas já aprendem a língua durante as aulas no ensino fundamental e médio. A diferença é que agora as aulas são direcionadas e o atendimento, individualizado.
Para as crianças, a maior novidade é a professora: ''Ela só fala em inglês. Não consegue falar português direito. A gente está ensinando ela'', diz Dilma Nascimento, 11 anos. Ela acha a aula divertida, apesar de considerar a língua difícil. ''Depois que eu aprender, quero viajar e conversar com a professora em inglês''.
O mesmo acontece com Rogério Corrêa da Silva, também de 11 anos. ''A professora só fala um pouquinho de português. É bom ela falar tudo em inglês. A gente aprende mais''.
O que mais se ouve na sala de aula é a palavra ''Thank you'', pronunciada pelos alunos. Além da língua, as crianças vão incorporando valores importantes, que servirão para o dia-a-dia. ''As crianças aprendem melhor quando usam todo o corpo e os cinco sentidos'', afirma Megan.
Para a assistente social e diretora do Lar, Sueli Lorençon Forli, o projeto vem complementar o aprendizado dos internos. ''É uma oportunidade única para a vida futura de cada um, uma possibilidade de inserção no mercado de trabalho. O Lar nunca teria condições de pagar professores para dar essas aulas''.
O Lar Anália Franco foi fundado há 46 anos e tem capacidade para atender 80 crianças. Atualmente a instituição atende 66 internos, entre crianças e adolescentes que permanecem na instituição até os 18 anos.


