Uma pesquisa realizada em Foz do Iguaçu mostrou que a maioria dos menores que vivem nas ruas da cidade está atuando no mercado de trabalho informal ao invés de mendigar ou se prostituir. Entre as 466 crianças e adolescentes (378 meninos e 88 meninas entre quatro e 17 anos) consultados pela Secretaria Municipal da Criança, 374 frequentam a escola pelo menos um período e trabalham durante o restante do dia.
Conforme o relatório, outros 29 disseram que só trabalham e não estão matriculados em nenhum colégio. A consulta confirmou também que 17 não estudam nem trabalham e que 22 estão somente estudando. Durante as entrevistas, 40 adolescentes revelaram que sobrevivem pedindo dinheiro e alimentos, 24 admitiram envolvimento com drogas e três assumiram viver da prostituição infantil.
‘‘Sabemos que estes últimos números são bem maiores que os apontados na pesquisa, mas é importante destacar que a maioria trabalha para auxiliar os pais ou responsáveis. Pessoas simples que também vivem na informalidade’’, destacou o secretário da Criança, João Pereira Sodré, lembrando ainda que os levantamentos servirão para ampliar o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do município, que atualmente mantém 108 crianças. Todas recebem uma bolsa mensal de R$ 40,00 e atividades de reforço escolar no período em que não estão nas salas de aula. O projeto prevê ainda aulas técnicas como mecânica de automóveis e horticultura.
Sobre o local onde moram, a maior parte dos jovens consultados confirmou residência em bairros simples, mas com condições básicas de saneamento, iluminação e transporte. Apenas 12 disseram viver com os pais em favelas. A preocupação maior da secretaria recai sobre os 44 menores que sobrevivem em invasões. Também estão incluídos nos casos críticos três ‘‘moradores de rua’’ (outros 260 circulam pelo centro entre 8 e 18 horas, mas voltam para casa no final da tarde).
Outra informação curiosa foi passada por 10 crianças que vivem no Paraguai, mas circulam pelas ruas de Foz. Para Sodré, um número bem maior de menores brasileiros deve sobreviver de biscates, transitando livremente na Ponte da Amizade, via que liga Foz a Ciudad del Este. ‘‘Retirar estes menores das ruas é um compromisso de todos nós. Outros projetos devem ser criados a partir dos dados que conseguimos coletar’’, disse Sodré.

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