Crianças devem aprender a desejar
Crianças devem aprender a desejar Arquivo FolhaIvan Capelatto: a história dos antepassados é o maior presente para as crianças de 6 a 11 anos Para os pais se adequarem e, principalmente, ajudar os filhos a viver em uma sociedade doente é preciso devolver a eles a capacidade de ter desejo, de agir prazerosamente na conquista do objeto de desejo. Felicidade é a possibilidade de se ter prazer em desejar algo. O prazer do ser humano está em conseguir desejar e não em realizar o desejo, afirma o psicoterapeuta Ivan Roberto Capelatto. Ele explica que o desejo é a substituição do complexo de necessidades do ser humano, que começa assim que ele nasce. A latência 6 aos 11 anos é o período em que os pais terão chance de imprimir em seus filhos a marca da saúde mental: o desejo. Este é o período de vida mais feliz. Quando não há invasões hormonais cerebrais, pois o único hormônio em produção é o do crescimento, afirma. O desejo é a saúde cultural, é a possibilidade de um sujeito poder esperar para ter um prazer. Ao ajudar os filhos a construir desejos, segundo Capelato, os pais aproveitam os poucos mitos que lhes restam e se adequam a uma sociedade doente. Nós cuidamos daquilo que obtemos por desejo e não por impulso, afirma. Para alcançar esta meta é fundamental que os pais contem a seus filhos latentes a sua pré-história (história de seus antecedentes, de seu nascimento e antes dele). Segundo Capelatto este é o maior presente que os pais podem dar a seus filhos com idades entre 6 e 11 anos. Antes disto não tem efeito, depois é possível resgatar, mas é complicado, alerta. A pré-história do indivíduo é importante, porque o desejo tem que nascer da cultura na qual está inserido. A pré-história mostra à criança, segundo Capelatto, que ninguém nasce de graça, que há um desejo por trás. Sem acesso a nossa pré-história não construímos nossa história, só narcisismo, afirma. É nesta fase da vida que a pessoa está com sede de ouvir as histórias que os mais velhos contam, ou contavam durante os almoços de família, isto porque é a época da vida em que é construída, psicologicamente, a organização de nosso desejo. Adolescentes que tiveram acesso à sua pré-história serão saudáveis, mesmo em sofrimento, o que é comum nesta fase de desenvolvimento do ser humano. E o que é uma pessoa saudável? A pessoa com uma boa saúde mental é aquela que gosta de cuidar de si, dos outros, do que está ao seu redor. Hoje o homem não busca o desejo, mas o prazer já. Não temos mais amizade, temos parcerias de prazer, afirma Capelatto. Não há valorização da afetividade de ausência, o que interessa e é valorizado é o prazer já. (E.P)





