Crianças de Londrina estudam em Cambé
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sábado, 31 de janeiro de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Andar mais de quatro quilômetros para chegar à escola faz parte da rotina de milhares de crianças em Londrina. Na próxima semana, quando começarem as aulas na rede municipal e estadual, começa também a dura tarefa de chegar à escola para quem mora em bairros ou assentamentos onde não há nenhum tipo de infra-estrutura, escola, posto de saúde ou asfalto.
Esse é o caso da maioria das crianças dos jardins Universitário, Columbia e Sabará 2 e 3, todos na Zona Oeste. As crianças tiveram que recorrer às escolas de Cambé, que ficam mais próximas de suas casas que as dos bairros vizinhos, em Londrina. E as regiões não são bairros ou assentamentos recentes. Os jardins Sabará 2 e 3 existem há 20 anos.
''Vamos fazer um levantamento de quantos alunos tem aqui nestes bairros, mas deve chegar a 1,2 mil'', estimou o presidente da Associação de Moradores do Sabará 3, Ailton Rabelo dos Santos. Um exemplo são as filhas do florista José Vitor de Souza, de 44 anos, que moram no Sabará, mas estudam em Cambé. ''Como é que eu posso deixar uma criança de nove anos andar mais de quatro quilômetros à pé para chegar à escola? Para ir à Cambé, é a avó que leva e vai buscar. É difícil a nossa situação, a gente vive aqui esquecido'', reclamou.
A jovem Helen Camila da Silva Cruz, 13, é outra estudante do Sabará 3 que teve que recorrer a uma vaga numa escola de Cambé, mais próxima de sua casa. ''Quando a gente morava em Minas Gerais, ela andava 45 minutos para chegar na escola. Mas lá a gente morava na zona rural, aqui não tem cabimento isso'', disse a mãe da menina, Ivana Silva Cruz, 37.
Não há números ou levantamentos oficiais da necessidade de escolas em Londrina, mas segundo dados da Companhia de Habitação (Cohab), existem pelo menos 25 assentamentos na cidade sem qualquer infra-estrutura, onde moram de três a quatro mil famílias. As duas últimas ocupações, Marieta e Nossa Senhora Aparecida, na Zona Norte, ocorreram durante a administração atual.
Segundo o chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Rony dos Santos Alves, não faltam vagas para os estudantes de Londrina, mas é necessário fazer um levantamento das regiões com deficiência de escolas. ''A população cresceu bastante e precisamos definir já onde é necessário construir escolas, não podemos esperar faltarem vagas'', disse. O NRE deve iniciar um levantamento dessas regiões na próxima semana, mas Alves já adianta algumas áreas deficientes de escolas, principalmente bairros da Zona Sul, como o Parque Ouro Branco, Jardim Piza e Conjunto Jamile Dequech.


