Crianças de Chernobyl se despedem
Especial para a Folha
As cinco crianças ucranianas que receberam tratamento médico por quase três meses no Hospital Universitário Evangélico, em Curitiba - vítimas do vazamento atômico da usina nuclear de Chernobyl - voltam hoje à tarde, para o país de origem, onde continuam a tomar medicamentos por mais 60 dias. Elas se curaram de anemia e problemas de tireóide, enquanto estiveram hospedadas com descendentes da Ucrânia que moram na capital. Dois dossiês clínicos que atestam a saúde deles foi entregue ontem pelo diretor-geral do hospital, Constantino Miguel Neto, à médica ucraniana Svitlana Digtyar, responsáveis por eles no Brasil.
Na Ucrânia, as crianças terão acompanhamento de médicos e da embaixatriz Valéria Porto e seu marido, o embaixador Mário Augusto Santos. O presidente do Fundo Juvenil de Chernobyl, Olexander Bojko, será uma das pessoas que receberá o dossiê. Até junho, outros cinco menores devem ser enviados ao Evangélico. Ainda não se sabe quais as doenças a serem tratadas. As mais graves, causadas pelo vazamento radioativo, são câncer e leucemia. O presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, José Welgacz, afirma que a meta é que a cada dois ou três meses, novas vítimas sejam enviadas para tratamento no Brasil, no mesmo hospital. Alega que, por enquanto, nenhuma outra unidade de saúde brasileira se manifestou para tratar ucranianos nesta situação.
Se muitas crianças tiverem que vir para cá, procuraremos outros hospitais. No convênio entre o Evangélico e a Representação, o primeiro arca com todo o tratamento e o segundo com passagens e possíveis custos de estadia. O problema é que existem aproximadamente mais 1,5 milhão de adultos com problemas de saúde, provocados pelo acidente de Chernobyl, e o mesmo número de crianças. Há duas semanas, milhares de ucranianos protestaram, nas ruas, contra o atraso de oito meses no repasse de medicamentos e de 18 meses no envio de vales-transporte para eles poderem se dirigir aos locais de tratamento. Pelo menos Oleana Nagorna, Ilariya Bilova, Anton Veritch, Hanna Tsenniova e Hanna Vasselichina tiveram mais sorte e amanhã já devem estar com os parentes na Ucrânia depois de se tratarem no Brasil. Confesso que quando elas chegaram aqui tinha um pouco de receio, mas felizmente não tinham problemas graves. Nos sentimos mais aptos a prosseguir os tratamentos para os casos mais sérios que possam chegar a nós, diz o diretor-geral do hospital.Mauro FrassonTratamento conseguiu curar anemia e tireóide das criançasAna Maria Tonial





