Israel Reinstein
De Curitiba
Há 13 anos, exatamente no dia 25 de abril de 1986, aconteceu o maior acidente nuclear de todos os tempos. Estatísticas oficiais de um estado totalitário contaram 10 mil mortes, mas organismos internacionais refizeram estas contas para cerca de 100 mil. Hoje, 13 anos depois, quando o Paraná discute a viabilidade da energia nuclear no Estado, cinco crianças – quatro meninos e uma menina – estão em Curitiba com um símbolo vivo do perigo da energia atômica para o mundo.
Oleg, 9 anos, Serguei, 7, Yaroslev, 8, Daria, 9 e Olexandr, 8, nem eram nascidos quando aconteceu o desastre. Um incêndio em reatores deixou vazar radiação em um raio de 90 quilômetros, atingindo cinco países e deixando 4 milhões de pessoas doentes. Até hoje Chernobyl está isolado. Poucos são os que podem entrar no raio de 30 quilômetros de isolamento em que vive a usina. Ainda assim, depois do desastre, dois reatores continuam funcionando e abastecendo de energia parte da Ucrânia, de onde vieram as crianças.
Os cinco sofrem as sequelas do desastre e estão em Curitiba como parte de uma campanha nacional para acolher e tratar os ‘‘filhos de Chernobyl’’. São meninos e meninas que vêm ao Paraná para tratamento de leucemia. Esta já é a terceira turma que chega a Curitiba. Cuba, Grécia e Espanha também participam do projeto.
Calcula-se que na Ucrânia vivam hoje cerca de 1,5 milhão de crianças que sofrem com a herança do acidente. Algumas, como as que estão em Curitiba, são filhas de pessoas que não sentiram na pele as doenças da contaminação nuclear que, no entanto, se alojou em seus gens, passando aos descendentes o que de pior a energia atômica pode deixar. Fica com os filhos também a dúvida de que os descendentes deles possam também vir a desenvolver qualquer tipo de doença ligada à contaminação nuclear ocorrida no tempo de seus avôs.
(Leia mais na página dois deste caderno)Vítimas de acidente nuclear acontecido quando elas nem eram nascidas, as crianças terão que ficar em tratamento a vida inteira
Kraw PenasDOR ETERNAAs crianças que estão no Paraná como parte do tratamento médico para combater as sequelas do acidente nuclear, além de permanecerem em observação por toda a vida, ainda não sabem se seus descendentes também sofrerão com os efeitos da radiação

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