Crianças de CEI aprendem inglês
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Em uma das salas do Colégio Aplicação, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), dez crianças entre cinco e seis anos participam das aulas de inglês, ministradas por Mariana Guedes, aluna do quarto período de Letras. Atentas, elas respondem aos questionamentos da professora, que só utiliza o inglês durante as aulas, que têm duração de 50 minutos, duas vezes por semana.
Nesse período, são desenvolvidas cerca de 30 atividades, envolvendo brincadeiras, música e desenhos. ''As crianças se dispersam rapidamente. Precisamos ter sempre uma atividade pronta para passar, para que elas se concentrem e aprendam a língua'', afirma a professora.
Fernanda Rosa, de seis anos, diz que já aprendeu as cores e os nomes de vários animais e objetos. Junto dos coleguinhas Ane Carolina da Silva e Pedro Carvalho, ambos de cinco anos, ela aprende noções básicas do inglês de uma forma lúdica.
Os três fazem parte do grupo de 180 crianças com idade entre três e seis anos, filhos de funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que estão aprendendo a língua inglesa como disciplina aplicada no contraturno do atendimento do Centro de Educação Infantil (CEI). As turmas estudam em salas no campus da UEL e no Hospital Universitário (HU). As aulas são ministradas por dez alunas do quarto ano do curso de Letras, que utilizam a disciplina como estágio do curso.
''Para não interromper o trabalho com as crianças, estaremos ensinando o inglês até o final do ano'', observa Mariana. A intenção, segundo ela, é fazer com que o projeto seja encampado pela universidade e incluído no currículo dos alunos. ''As crianças aprendem rápido e quanto mais cedo elas estiverem em contato com a língua, melhor.''
A idéia surgiu da prática da professora Juliana Tonelli, mestre em estudos de linguagem e que há dez anos leciona inglês para crianças. ''É um método diferenciado que resolvi passar para as alunas, para que elas soubessem como lidar com crianças dessa idade, já que as aulas são diferentes das ministradas para alunos mais velhos'', explica.
Implantado em abril deste ano, o curso é ministrado com base em uma apostila desenvolvida a partir de um livro infantil, lançado pela própria professora, específico para o ensino da língua inglesa. ''Praticando a língua, as crianças terão raciocínio lógico, além da maior facilidade em aprender.''
O curso segue a grade curricular do município. As aulas são ministradas 100% na língua inglesa. ''Quanto maior o contato com a língua, maior o retorno'', explica Juliana. Para a professora, mais do que a inclusão digital, as autoridades deveriam se preocupar com a inclusão linguística, importante para a formação de qualquer aluno. ''Hoje, tudo o que se faz precisa muito do inglês e de outras línguas. Não adianta colocar computadores em salas de aulas se os alunos não têm conhecimento de inglês para trabalhar nas máquinas'', reforça a professora.


