Crianças da Zona Leste sonham com parque
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A reportagem da FOLHA chega ao fundo de vale do Jardim Nova Conquista, na Zona Leste de Londrina, para verificar denúncia de que a área de lazer está deteriorada. Imediatamente, aparece a primeira criança. Em um minuto, mais duas crianças. Não se passam cinco minutos e já são aproximadamente 20 crianças, todas com uma reclamação na ponta da língua.
Os brinquedos do parquinho construído pela prefeitura já não funcionam, faltam peças ou estão enferrujados. Por todo lado vê-se lixo e sujeira. Além disso, a área é coberta por fezes de cavalos que pastam por ali, já que boa parte dos moradores sobrevive como carroceiro.
''O rio também é sujo. Nós já limpamos uma vez, mas sujaram tudo de novo'', conta o estudante Eliel, de 9 anos - em referência ao córrego Carambeí, que passa pelo fundo do vale. ''A gente queria isso aqui tudo limpo, com os brinquedos funcionando, cerca para os cavalos não andarem por tudo. Só devia entrar criança. Antes era muito legal, mas depois foram destruindo e nunca mais consertaram''.
Ao se aproximarem dos brinquedos, as crianças vão relembrando dos detalhes que já não existem. ''Os bancos desse aqui eram vermelhos e o lugar de segurar era amarelo'', conta Karen, de 10 anos. ''Antes a gente sentava para rodar, agora não tem banco e a gente fica de pé mesmo''.
A conversa prossegue e os sonhos se ampliam. ''A gente queria que as crianças não usassem droga e não tivesse tanta violência'', cobra Giovani, de 8 anos. ''E também acho que deveriam melhorar as casas de todo mundo, ela são muito ruinzinhas''.
Outro jovem morador da redondeza, Jeferson, de 12 anos, se lembra com nitidez da última reforma da área. ''Plantaram um monte de árvores, melhoraram tudo, mas depois ficou abandonado, a cerca dos cavalos desapareceu e eles comeram todas as mudas'', diz, mostrando a fila de covas inutilizadas ao longo do córrego. Outro sonho das crianças é a reativação de uma piscina formada pelo represamento da nascente. O que antes servia como área de lazer, atualmente compõe um degradante monumento à sujeira e ao descaso - com água parada e lixo boiando em toda a extensão.
A degradação do parque do Nova Conquista não agride apenas a vista e o meio ambiente. As consequências mais graves atingem a saúde dos moradores. ''Ninguém mais aguenta tanto carrapato. A gente pega dos cavalos que ficam soltos por aí. Fica todo mundo se coçando'', conta a catadora de lixo reciclável, Valquíria da Silva, de 25 anos. A doméstica Zenilda da Silva, de 43 anos, explica que há dois tipos: ''O boi e o barata, cada um é de um tamanho''. De acordo com ela, um dos principais problemas do bairro é o descaso da própria população. ''É o povo mesmo que suja, joga lixo aqui. As pessoas deveriam ter mais cuidado com o parque'', cobrou.
O aprendiz de eletricista, Claudemir da Silva Leôncio, de 26 anos, concorda: ''Só a conscientização é que vai mudar a situação. O povo é muito relaxado, quando chove, todo lixo vem parar aqui embaixo''.
O presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Conquista, Marcos dos Santos, disse que protocolou três pedidos de reforma do parque, no ano passado, mas até agora não teve resposta. ''O último foi para a CMTU, mas ainda estou aguardando''.


