Curitiba - Conforme estimativa divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) no último dia 23, a capital paranaense possui 1.757.904 habitantes. Do total, 29.060 são crianças de 9 anos - idade de Carlos Felipe Blitzkow, Larissa de Paula Ferreira e Luiz Felipe Strina, alunos da 4 série da Escola Municipal Dom Manuel da Silveira D'elboux, em Curitiba, cidade que hoje completa 313 anos.
Entusiasmados com a idéia de imaginar um futuro para a cidade, os três não se incomodoram em arriscar: ''Os carros vão poder voar em 2035'', detalhou Luiz. ''E os prédios vão flutuar'', acrescentou Larissa. ''Vai ser tudo prateado'', comentou Carlos. A realidade atual, no entanto, também não escapa da percepção das crianças. Luiz e Carlos chamaram a atenção para a quantidade de ''pedintes'' na cidade. ''Lá na rua XV eu já vi vários'', disse Carlos. ''Dá para se colocar no lugar deles e se sentir muito mal'', revela Luiz.
Para solucionar o problema, as crianças falam em mais segurança à população e também se referem ao trabalho dos políticos. ''Se eu fosse prefeito de Curitiba ou Presidente da República, eu teria muito dinheiro para distribuir para os pobres'', explicou Luiz. Larissa afirma que faria um grande abrigo: ''Com comida e atendimento médico''. E Carlos defende o mesmo projeto. ''A Larissa roubou minha idéia'', protesta.
E as profissões que cada um pensa em seguir também revelam uma preocupação com o atual cenário. Larissa e Carlos querem ser advogados. ''A justiça está muito errada. Os políticos roubam e não são punidos. Os políticos têm que fazer pelo País e não por eles'', disse Larissa, que também não descarta a hipótese de ser veterinária: ''Existem muitos bichos em extinção''.
A vontade de trabalhar em mais de uma área, no entanto, também é compartilhada por Carlos e Luiz. ''Quero ser advogado, juiz, engenheiro mecânico, veterinário e policial'', dispara Carlos, que, no fim das contas, confessou ser ''apaixonado'' mesmo é por moto. Já Luiz também se interessa por engenharia mecânica e quer ser policial, ''porque eu gosto de defender as pessoas'', mas informa que não descarta o sonho de ser jogador ou juiz de futebol.
Mas ao menos quando o assunto é Curitiba, os três têm respostas rápidas: gostam de morar aqui e não se incomodam com o clima da cidade. ''Cornélio Procópio, onde eu nasci, é muito quente'', conta Larissa, há seis anos na capital. ''Quando eu fui para Florianópolis estava fazendo 45 graus, muito quente'', disse Luiz, que também reclamou do litoral paranaense: ''Quando eu fui para Pontal do Sul só fez frio''. Indignação, aliás, compartilhada por Carlos: ''Lá só chove, quase virei sapo''.
Para a cidade, as crianças desejam, novamente, ''mais segurança''. ''E um bolo bem grande'', completou Carlos, que depois ficou surpreso ao ser informado sobre o presente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Paraná e Anaconda: um bolo de 313 kg, que será distribuído para a população hoje, às 19 horas, na Praça Santos Andrade. A decoração do bolo é inspirada na Biodiversidade.

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