Crianças com o futuro desenhado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Na música Aquarela, de Toquinho, há um verso que diz "Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva". Esse trecho da canção reflete uma das atividades que crianças no mundo inteiro mais gostam de fazer: desenhar. Na Casa Acolhedora, localizada no Jardim Universitário (zona oeste de Londrina), meninos e meninas são estimulados a pintar desenhos criativos como atividade do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolvido pelo professor Cláudio Garcia, do curso de Artes.
Tal e qual a canção de Toquinho, as crianças da Casa Acolhedora desenharam sobre uma parede o contorno de parte de seus corpos com lápis de cor para que depois esse esboço fosse pintado com tintas coloridas de acordo com a imaginação deles. São crianças como Cristian Junior Melo, de 9 anos, aluno do 4º ano da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza. Ele destacou que achou divertido poder se expressar desta forma. "Antes só desenhava com lápis, giz de cera e tinta guache, mas sempre no papel e nunca tinha pintado em uma parede", observou.
Segundo Garcia, os alunos não pintam direto na parede porque geralmente ficam dois meses desenhando no papel, aprendendo a mexer com tintas, misturando cores primárias e secundárias. "Só depois eles podem pintar as paredes, pois a pintura exige o conhecimento de algumas técnicas", explicou o professor, que conta com a ajuda de alunos e ex-alunos do curso.
O professor destacou que, por meio da pintura, as crianças desenvolvem melhor o raciocínio. Ele explicou que inicialmente a oficina era para ser de xilogravura, mas depois migrou para a pintura e o desenho. "Eu tenho experiência de trabalhar com esse tipo de atividade desde 2001, quando comecei a pintar muros no Jardim Pindorama (zona leste) por meio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e estou há quatro anos na UEL como professor de desenho e pintura", destacou.
A pedagoga da Casa Acolhedora, Maria Andréa dos Anjos, afirmou que algumas crianças fazem desenhos que refletem a sua realidade ou o que estão sentindo. Ela citou o exemplo de uma menina que retrata as características da mãe nas pinturas, porque não é mais criada por ela, mas pela avó.
No caso de Felipe Samuel da Silva Rocha, de 9 anos, os desenhos são comuns a qualquer criança da sua idade. "Eu gosto de desenhar carros. Primeiro eu faço a parte de cima, para depois desenhar as rodas, o turbo e depois coloco o fogo que sai dele", ensinou.
O professor, que realiza as atividades na entidade todas as terças-feiras, destacou que o mais difícil ao ensinar crianças é que elas trazem consigo informações veiculadas pela mídia sobre o que seria um bom desenho ou o que é arte. "A espontaneidade é o mais importante no desenho e o processo é mais importante que o resultado", destacou.


