Febre baixa, dor de cabeça e erupções cutâneas que aparecem dois ou três dias depois caracterizam a varicela. Em Londrina, o Pronto Atendimento Municipal (PAM) registrou um aumento no número de pacientes atendidos com esses sintomas nos últimos dias. Porém, como a varicela não exige notificação obrigatória, a Secretaria Municipal de Saúde não tem dados que confirmem o crescimento da incidência dos casos.
Em uma escola de educação infantil localizada na Zona Leste, 15 das 45 crianças matriculadas desenvolveram a doença nas últimas semanas. ''Uma das mães trouxe o filho contaminado e as outras acabaram doentes'', afirmou a diretora Paula Salvador. Ela alertou que os pais devem ter consciência sobre os riscos de contaminação e manter os filhos em casa até a cicatrização total das vesículas. ''Orientamos a procurar um pediatra para confirmar o diagnóstico antes de trazer a criança. A colaboração da família é fundamental'', disse.
Altamente contagiosa, a doença também conhecida como catapora é normalmente inofensiva, mas pode abrir portas para infecções secundárias na pele e até mesmo evoluir para quadros mais graves como encefalite ou meningite.
Por isso, a farmacêutica Luciana Schutz Pereira Ilkiu ficou preocupada quando o filho Thomas, de 1 ano e oito meses, começou a apresentar febre e as primeiras bolhas que, no dia seguinte, espalharam-se por todo o corpo. ''Dei bastante banho para aliviar a coceira e evitei deixá-lo no chão, para prevenir infecções'', contou ela.
O garoto também não está indo à escola e quase não sai de casa para não contaminar outras pessoas. ''A catapora é muito contagiosa. Tenho consciência de que ele pode transmitir a doença enquanto as 'casquinhas' não caírem'', explicou.
De acordo com Sônia Fernandes, gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, a varicela é transmitida por secreção respiratória ou contato com as lesões. ''O contágio é maior na fase em que as vesículas estão secando'', informou. Por isso, os contaminados devem ser afastados da escola e de locais onde há muita aglomeração de pessoas até as bolhas estarem completamente secas.
Gestantes
Em gestantes, a contaminação oferece risco de provocar lesões no bebê. Algumas das possíveis consequências são baixo peso, catarata e retardo mental. ''O maior risco é quando a gestante contrai a doença no primeiro ou segundo trimestre de gravidez'', disse Sônia.
No caso de contato com pessoas infectadas, as grávidas devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em menos de 72 horas para receberem a imunoglobina anti-varicela, que estimula a defesa e impede o desenvolvimento da doença.
Como as bolhas de catapora provocam muita coceira, as crianças infectadas devem ter as unhas bem cortadas para evitar a infecção secundária. A contaminação das vesículas pode até mesmo levar a uma septisemia (infecção generalizada), que oferece risco de morte. Observar o estado geral do doente é outro cuidado necessário. ''Prostação, apatia, febre e vômito que não melhoram podem indicar possíveis complicações'', afirmou.
O tratamento da varicela visa apenas aliviar os sintomas, com uso de medicamentos para aliviar a coceira. Já existe vacina contra a doença, disponível para a população em geral apenas em clínicas particulares. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a imunização apenas em situações especiais.

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