Maigue Gueths
De Curitiba
Os índices de sobrevida de crianças acometidas de câncer estão se aproximando dos 100%. Em dez anos, a cura pode chegar a até 95% dos casos, dependendo do tipo de câncer. Quem faz essa previsão otimista é o oncologista americano Willian Crist, e da William Crist, chefe do Departamento de Pediatria e Medicina do Adolescente na Mayo Clinic, em Minesota (EUA), apontando a evolução das técnicas de tratamento e precocidade do diagnóstico como as principais causas.
William Crist foi um dos destaques do II Encontro Internacional de Oncologia Pediátrica, que começou ontem em Curitiba. Ele faz parte do grupo IRS, criado em 1972, na Mayo Clinic, para estudar o câncer de músculos em crianças, doença conhecida como rabdomiosarcoma. Foi graças aos protocolos estabelecidos por este grupo que se conseguiu evoluir no tratamento dos tumores musculares. Antes das condutas estabelecidas pela equipe, apenas cerca de 15% das crianças vítimas da doença sobreviviam. Atualmente, as margens de cura são superiores a 70%, ‘‘Em 30 anos a sobrevida triplicou e hoje o índice de cura é de 75%’’, disse. A cura pode chegar até s 95%, dependendo do tipo de câncer e da precocidade do diagnóstico.
A incidência deste tipo de tumor não é alta. No Brasil, cerca de 300 crianças têm câncer de músculos. Atualmente os hospitais brasileiros utilizam, no tratamento o IRS3, desenvolvido pelo grupo de Crist. A partir de agora os centros oncológicos devem começar a utilizar o IRS4, que está sendo apresentado em Curitiba. Desenvolvido de 1991 a 1997, com 977 crianças menores de 21 anos, o novo método ‘‘apresentou a melhor resposta já obtida para esse tipo de doença’’. Em geral, o índice de cura ficou em 75% mas em alguns sub-grupos de pacientes, que utilizaram uma combinação de drogas denominada VAC, o índice de melhora aumentou em até 8%.
Por esses resultados, o IRS4 é conhecido como padrão ouro e deve ser adotado em praticamente todo o mundo. ‘‘A diferença de vida entre uma criança que trata o câncer e uma que não trata é dramática’’, diz Crist. Sem tratamento, a criança pode morrer no prazo de seis meses. Já aquelas que recebem o tratamento, mas não obtêm a cura, podem ter uma sobrevida com qualidade de três a quatro anos. Entre os 75% que são curados, entre 2 a 3% podem ter sequelas ou voltar a ter algum tipo de câncer.
Durante três dias, especialistas em câncer de 100 centros oncológicos do Brasil estarão reunidos no encontro em Curitiba. Promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica e Liga Paranaense de Combate ao Câncer, o encontro traz alguns dos maiores especialistas da área, que falarão sobre o que há de mais moderno no mundo em diagnóstico, medicamentos, cirurgias e tratamento do câncer em crianças.
Um dos organizadores do evento, o cirurgião pediatra oncológico do Hospital Erasto Gaertner, Edson Michalkiewicz, estima que existam no Brasil entre cinco a sete mil crianças com câncer. Segundo ele, a troca de experiências e informações entre especialistas é importante porque nos países desenvolvidos o câncer é a principal causa de morte entre crianças menores de 15 anos.

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