Crianças chegam e mudam a
rotina de famílias curitibanas
Kraw PenasMarquiano Snak e a mulher, Joana, dizem que nunca vivenciaram um sentimento semelhante de solidariedade desde que o garoto Oleg Dsybulksy chegou na casa da família. ‘‘A nossa ajuda a essas crianças não é só uma contribuição financeira. É uma experiência mais forte, em que se entrega de corpo e alma.’’As famílias Snak, Horbatiuk, Haliski, Welgacz e Kovalechucki estão vivenciando uma situação singular, desde a vinda de cinco crianças ucranianas para se tratar em Curitiba. ‘‘É uma emoção muito grande ser chamada de mãe por uma criança pequena, depois de muito anos’’, afirma Eugênia Juk Haliski, mãe adotiva de Serguei Romanets. Com dois filhos adultos, ela conta que mudou a rotina, passando a vivenciar situações que tinha apenas na infância de suas crianças. ‘‘Estou me sentindo renovada, por ajudar outro ser humano’’, conta. Eugênia diz que seu marido também vem remoçando, passando a jogar bola com Serguei.
‘‘A nossa ajuda a essas crianças não é só uma contribuição financeira, que se dá e alivia a consciência. É uma experiência mais forte, em que se entrega de corpo e alma’’, define o funcionário dos Correios, Marquiano Snak. Pai de três filhos, ele explica que nunca vivenciou sentimento semelhante de solidariedade ao cuidar do menino Oleg Dsybulksy, de 9 anos.
‘‘Nessa fase da vida, recebi um filho pronto, que foi entregue por uma vião, ao invés de uma cegonha’’, afirma Maria Luíza D’Agostin Horbatiuk, que está cuidando de Yaroslev Opanassenko, 8 anos. A criança trata Maria Luíza como mãe. ‘‘É carinhosa e obediente, dando um carinho que tinha com meus filhos’’, diz.
Eugênia Haliski conta que desde a vinda do primeiro grupo de crianças tinha decidido cuidar de uma delas. ‘‘Agora, na terceira vez, acredito que chegou a vez e por isso estou, junto com meu marido, preparada para cuidar de Serguei. Ela explica que a sorte ajudou na hora de receber a criança. Serguei, explica, é parecido com o filho biológico. ‘‘Ele também tem a mesma energia, correndo e ficando agitado o tempo todo’’, compara, emocionando-se.
Sem ter planejado a ‘‘adoção’’ de uma criança, a decisão da família Snak aconteceu por impulso. Marquiano conta que a decisão foi tomada depois de um desencontro de um almoço. ‘‘Por causa disso, fomos à missa, onde nos candidatamos para receber o menino’’, diz. Marquiano se diz satisfeito com a decisão.
‘‘A única coisa que me entristece é na hora que acontecer a despedida’’, diz. As crianças vão embora próximo do Natal. ‘‘O Serguei me avisou que pretende, depois de voltar à Ucrânia, manter contato. Eu também quero saber como vai se desenvolver este menino’’, afirma Eugênia Juk Haliski.

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