Crianças cantam, se encantam e aprendem a esquecer diferenças
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Ibiporã - A música como instrumento de integração e inclusão social marcou o encontro de dois corais, ontem, em Ibiporã (14 km a Leste de Londrina). Os grupos ''João XXIII'', da Apae do município vizinho, e ''Sentinela'', formado por alunos do projeto ''Musicalização na Escola'', de Londrina, se reuniram para apresentar canções e assistir o recital dos colegas. No final, os dois corais cantaram juntos a música ''Como é grande o meu amor por você'', de Roberto Carlos. A confraternização entre os estudantes continuou durante um lanche servido pela instituição.
O evento foi uma experiência nova para os integrantes do ''Sentinela''. Estudantes da Escola Estadual Ana Garcia Molina e moradores de bairros carentes e violentos da Zona Leste de Londrina, eles nunca tinham se apresentado para um público de alunos especiais.
O coordenador do projeto, Jorgisnei Ferreira de Rezende, comentou que o encontro teve o objetivo de mostrar que mesmo as pessoas que se encontram em situação de exclusão podem ser capazes de doar uma parte do tempo para alegrar outras pessoas. ''A intenção é levá-los a descobrir novos valores'', revelou. O contato com o público especial visou trabalhar a questão do preconceito. ''A idéia é que eles encarem as diferenças com naturalidade'', disse.
Para o coral da Apae, a reunião teve a função de estimular o contato com o trabalho de outro grupo e promover a interação. ''O coral Sentinela é um modelo para nós'', avaliou o vice-diretor da instituição, Paulo Silvério Pereira. O grupo formado por 25 pessoas começou a ensaiar para melhorar a auto-estima dos estudantes. ''Mas o resultado ficou tão bom que eles passaram a ser convidados a se apresentarem em eventos'', completou, acrescentando que atividades como a música acabam gerando a inclusão de grupos especiais.
A estudante Lilian Alessandra Lima da Silva, 14 anos, do Sentinela, ficou impressionada com o coral formado pelos colegas da Apae. ''Eles se esforçaram bastante, foi muito bonito'', elogiou ela, que gosta de participar do grupo por causa das apresentações em eventos.
João Marcos Justino, 12, também gostou bastante do coral da Apae. Para ele, oportunidades como a reunião de ontem são boas porque permitem conhecer outras pessoas. ''O projeto é legal porque ensina a gente a se relacionar em ambientes diferentes'', opinou.
Os elogios foram recíprocos. Ana Paula Azevedo, 23, do ''João XXIII'', achou ''linda'' a apresentação das crianças e adolescentes de Londrina. ''Também gostei porque eles vieram ver a gente cantar'', disse. Iran Sartaíde, 43, elogiou as músicas entoadas pelos colegas. ''A parte mais legal foi quando todo mundo cantou junto.''


