A vaidade infantil levanta discussões. Para a coordenadora do Núcleo de Casal e Família da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Magdalena Ramos, é mais um sintoma do encurtamento da infância, que tem tornado as crianças cada vez mais ''adultinhas''.
''Junto à influência grande da mídia, sobretudo da televisão, há os pais que não sabem falar não nem impor limites aos filhos'', acredita. ''Hoje a criança pode tudo e, entre todas essas coisas, tem a parte da beleza. Mas elas não ganham nada com isso. Ao contrário, perdem, porque não terão outro momento para viver a infância.''
A psicóloga acredita que a vaidade precoce acaba ainda estimulando a padronização. ''Hoje todos têm de ser magros, louros, de cabelo liso e se ensina que as diferenças têm de ser apagadas'', continua. ''Se o filho tem cabelo encaracolado, o pai deve fortalecê-lo para ser como é e para que aprenda a se aceitar com a beleza que tem.''
A esteticista Lizete Squaiella concorda. A não ser que sejam enviadas por dermatologistas, ela se recusa a tratar de crianças. ''Muitas mães acham lindo levar a filha para fazer tratamento de beleza, mas eu acho que isso não combina com criança e não faço.''
Para a biomédica Fabiana Albuquerque, não se pode esquecer que o mundo mudou: ''Não precisa chegar ao absurdo de transformar a criança numa vítima da moda e da beleza, mas é péssimo tratá-las como antigamente, pois hoje elas são mais espertas e curiosas.''

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