Cambé Bom comportamento se aprende desde pequeno. Foi acreditando nesta idéia que uma escola de ensino fundamental de Cambé (13 km a oeste de Londrina) resolveu incluir em sua grade curricular aulas de comportamento no trânsito. Desde o começo de junho, os alunos de 1 a 3 séries da Escola Pingo de Gente aprendem como andar nas ruas e quais as obrigações dos motoristas e dos pedestres.
O idealizador do projeto, o proprietário de auto-escola, Luiz Carlos Segura, 42 anos, diz que as aulas já são obrigatórias de acordo com o Código de Trânsito, aprovado no final de 1997. ''A lei diz que alunos primários devem receber esse tipo de aula, mas o governo não tem recursos para incluir essas aulas no currículo'', lamenta.
Segura procurou a proprietária da escola, Iracema Jamal da Silva, 45 anos, com o proposta do curso. ''Acreditamos que as crianças podem mudar os adultos. Além de trânsito, queremos ensinar cidadania'', explica Iracema. Quem ganha com isso são as crianças, que já sabem reconhecer várias placas de trânsito e identificar erros dos motoristas nas ruas.
Os alunos recebem aulas de cerca de 40 minutos, uma vez por semana. Eles assistem vídeos educativos, realizam dinâmicas de aprendizado e discutem problemas vistos no trânsito e como eles podem ser evitados. As crianças também recebem um Manual Infantil de Trânsito, desenvolvido pelo próprio Segura, mostrando um personagem em situações típicas da vida infantil, como andar de bicicleta, e o modo que elas devem agir nesses casos.
As crianças já estão colocando em prática o que têm aprendido durante as aulas. Isabela de Almeida, 9 anos, observa o que é certo e errado na ruas. ''Uma mulher jogou lixo no chão e eu sei que isso é feio'', afirma. ''Outro dia eu vi uma mulher com o cinto de segurança para o lado de fora do carro. Eu falei para o meu pai e ele avisou ela. Cinto de segurança tem que ficar no corpo'', conta Gabriel Begnini, 8 anos.
O projeto pretende também atrair a atenção dos pais. Eles irão responder um questionário sobre conduta no trânsito e, no final do ano, será eleito o melhor pai motorista, como forma de incentivar a cobrança dos filhos. Atualmente, 40 crianças, entre sete e dez anos, têm aulas, mas a intenção é ampliar o projeto para outras instituições, inclusive da rede pública.

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