Crianças aprendem primeiros socorros
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terça-feira, 09 de março de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
A cada ano, 250 mil pessoas sofrem paradas cardiorrespiratórias no Brasil. Desse total, apenas 2% a 5% sobrevivem. De acordo com o cardiologista Manoel Canesin, essa estatística poderia ser elevada para até 50% se as vítimas recebessem o atendimento correto, que inclui educação para os primeiros socorros, chegada precoce da ambulância, uso do desfibrilador e encaminhamento adequado ao hospital.
Com o objetivo de sensibilizar a população e divulgar os procedimentos corretos no atendimento a emergências cardíacas, o médico coordena o projeto Salva, do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde e Ecologia (Indese), focado no treinamento de professores e estudantes de quarta e quinta série para que eles tornem-se multiplicadores das informações.
Ontem, acompanhado por uma equipe do Samu, Canesin realizou um treinamento piloto com crianças da Escola Municipal Elias Kauam, localizada no Conjunto Novo Amparo (Zona Norte).
Além de assistir a uma palestra sobre como solicitar os serviços do Samu e a importância de não passar trotes, o grupo de estudantes também recebeu informações para identificar uma emergência e fazer a massagem cardíaca que pode ajudar a manter vivo o paciente até a chegada da ambulância. Os profissionais divulgaram, ainda, cuidados de prevenção primária, como evitar diabetes, obesidade e fumo.
Antes do treinamento de ontem, professores da escola passaram pelos mesmos procedimentos para tornarem-se aptos a ensinarem os alunos. No próximo sábado, as próprias crianças darão o treinamento aos pais e familiares, nas dependências da escola. ''Estamos formando uma cadeia multiplicadora inédita no Brasil'', avaliou o cardiologista.
Atenção
Os bonecos para realização da massagem, em tamanho real, despertaram a atenção das crianças. De acordo com a professora Fabiana Lumi Kukichi, os alunos demonstraram-se bastante sensibilizados. ''Tive contato com uma disciplina que incluía primeiros socorros na faculdade, mas o método do projeto é mais pertinente, porque aproxima da realidade'', avaliou.
Nicole dos Santos Rodrigues, 9 anos, ficou admirada por aprender que pode ajudar a salvar vidas. ''Não achei difícil fazer a massagem', disse ela, cujo tio sofreu três derrames e necessitou do atendimento do Samu. ''Se acontecer com outra pessoa da família, vou poder ajudar.''
Katiele Marciele Amador Ferreira, 9, já sentiu na pele a dor de perder um ente querido por problemas cardíacos. O pai, segundo ela, teve uma parada cardíaca e faleceu antes que pudesse ser socorrido. ''Gostei de aprender os socorros. É importante saber como ajudar.''
Mateus Leonardo Justino de Pádua, 9, gostou de assistir aos vídeos sobre o Samu e, apesar de ter confessado que já passou trotes na polícia, afirmou ter aprendido que o comportamento é errado. ''Não vou mais fazer esse tipo de coisa, pois pode atrapalhar o salvamento de vidas.''
A assessora pedagógica da secretaria municipal de Educação, Dilza Maria Radigond Razito, informou que a metodologia será inicialmente aplicada em seis escolas do município, com oferta do treinamento e do kit com os CDs e o boneco inflável. ''Nesta primeira escola, vamos avaliar se os objetivos serão cumpridos'', afirmou.


