Crianças aprendem história com pioneira
Como era Londrina quando a senhora chegou aqui? Quais eram as brincadeiras preferidas pelas crianças da Cidade na década de 30? Como as pessoas se vestiam naquela época? A família da senhora ficou rica, por ter chegado em Londrina há tanto tempo? Como eram as casas da Cidade naquele tempo?
Essas e outras dezenas de perguntas foram feitas na manhã de ontem por 52 estudantes à pioneira Odília Aparecida Negro Bergoc.
A entrevista coletiva, realizada no anfiteatro da Super Creche (na área central), foi promovida pelo projeto Cultural Comunitário (Cuco), que existe há oito anos. Trata-se de uma iniciativa conjunta do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, e das secretarias municipais de Cultura e de Educação.
Mario CesarTestemunhaA pioneira lembra primeiros tempos na Cidade: As crianças adoravam brincar com o barro das ruasAs ruas de Londrina eram todas de terra. A poeira estava presente em todos os lugares e atrapalhava muito a saúde e a vida das pessoas naquela época. Não havia energia elétrica nas casas, que eram construídas principalmente de madeira e troncos de palmito. As crianças adoravam brincar com o barro das ruas, quando chovia, e de balanço nos cipós das árvores em dias de sol, contou Odília Bergoc. Ela tem 72 anos de idade e chegou a Londrina, vinda de Leme (SP), em 1936.
A todas as perguntas, a pioneira - que é viúva de Jacob Bergoc e tem quatro filhos e seis netos - respondeu com paciência, clareza e alegria. Os entrevistadores foram alunos da 3ª série da Escola Municipal Noêmia Garcia Malanga, do Jardim Olímpico (zona oeste), um dos mais humildes de Londrina. Para muitas crianças, que aplaudiram a pioneira ao final da entrevista, essa foi a primeira oportunidade de conhecer o Centro da Cidade.
O projeto Cuco já realizou mais de 60 entrevistas de estudantes com pioneiros e moradores antigos de Londrina. São sempre alunos de 3ª e 4ª séries da rede municipal de ensino, que estão iniciando o estudo da história dos bairros, da Cidade e da sua gente. As entrevistas acontecem mensalmente e são depois transcritas e repassadas aos estudantes e professores de História das outras escolas. Também são gravadas em vídeo e passam a fazer parte do acervo do Museu Histórico de Londrina.
As pessoas de antigamente se vestiam com grande elegância. Nenhum dos homens ia à igreja ou ao cinema de manga de camisa, como ocorre hoje. Minha família trabalhou muito, ajudou a construir a Cidade, sempre viveu muito bem aqui, mas não ficou rica, não. Mas isto não tem importância. Temos orgulho da nossa participação, ainda que pequena, no crescimento de Londrina, explicou Odília Negro Bergoc, que veio para aqui aos dez anos de idade com os pais e nove irmãos.
Por quase duas horas, os estudantes tiveram uma aula de história contada por uma personagem que participou ativamente dela, sem a intermediação dos livros, vídeos e professores. Odília Bergoc explicou como foi a viagem de chegada a Londrina - três dias de trem -, como era a vida das pessoas e a situação da Cidade nas décadas de 30 e 40. As crianças deixaram transparecer que gostaram muito do que ouviram. É um outro jeito, muito gostoso, de se estudar e aprender História. Este tipo de atividade é muito importante para o desenvolvimento das crianças, afirmou a professora auxiliar Stela Cristina Aguilera.Mario CesarEncontro de geraçõesOdília Aparecida Bergoc, 62 anos de Londrina, é entrevistada por alunos: memória da CidadeOsmani Costa





