Crianças aprendem Constituição fazendo leis para sala de aula
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Quarenta alunos da 4 série do ensino fundamental de uma escola particular de Curitiba aprenderam na prática, durante toda esta semana, os princípios da Constituição Federal. Para isso, elegeram os principais problemas encontrados junto às suas turmas e ontem, simulando uma Assembléia Nacional Constituinte, debateram propostas e aprovaram leis que vigorarão na sala de aula.
A idéia de ''brincar'' de Constituição partiu da professora Jucélia Gonçalves Martinelli que, nas disciplinas de história e geografia, ensinou a história da Constituição no Brasil. ''Eles vêem na televisão todo dia que existem leis que dizem, por exemplo, que a população paga impostos e que deveria ter acesso gratuito a serviços de saúde, mas a maioria dos pais paga planos particulares. Para eles, as leis e a Constituição em si tornam-se muito vagas'', explica.
A saída foi partir da realidade local. Na quarta-feira, os alunos, que têm 9 e 10 anos, dividiram-se em quatro equipes e escolheram o que seriam, para eles, os maiores problemas da sala: o esquecimento de material; bagunça na sala; aluno que conversa e não faz a lição; e o fato de muitas crianças pararem de fazer a atividade em andamento quando o professor sai da sala.
Ontem, aberta a sessão da Assembléia Constituinte, a primeira lei aprovada determina que os estudantes têm que ter maior atenção na hora de arrumar o material escolar de forma a não esquecer nada. A maioria concordava, no entanto, que o assunto que deve merecer maior rigor refere-se à bagunça em sala de aula. ''O maior problema é a conversa em sala'', disse Rodrigo Mann, de 10 anos, que já teve que levar um bilhete da professora a seus pais reclamando da bagunça. Mesmo assim, ele pretendia propor uma lei prevendo que os professores anotassem com mais frequência o mau comportamento dos alunos.


