Foi com grande encantamento que 40 crianças do ensino fundamental de uma escola de Londrina aprenderam ontem um pouco mais sobre o dia-a-dia de pessoas que estudam no Instituto de Cegos. A atividade foi organizada pelo Projeto ''Você Apita'', realizado pela Fiat, que visa sensibilizar as crianças para a temática de trânsito e mobilidade. Em Londrina, 20 escolas participam do projeto.
Durante a atividade, as crianças receberam noções sobre o alfabeto em braile, conheceram a máquina de escrever adaptada para essa linguagem e também o ''Sorobã'', uma máquina manual de cálculo, de origem oriental, que exige muita destreza de quem quer dominar as lições de matemática, mas não tem o desenvolvimento pleno da visão. O estudante Rodrigo da Silva, 18 anos, que estuda no instituto há seis anos, chamou a atenção pela sua habilidade em calcular. ''No começo foi difícil, mas basta ter força de vontade para aprender'', comentou ele, que pretende ser advogado.
Além disso, conheceram as dificuldades de mobilidade que as pessoas com deficiência visual enfrentam, como calçadas emburacadas e com raízes expostas, e bueiros abertos. Na rua, as crianças aprenderam a melhor forma de oferecer auxílio para uma pessoa com deficiência visual realizar uma travessia. ''A gente não deve segurá-lo. O certo é perguntar primeiro se a pessoa quer auxílio e depois deixar o braço meio dobrado, para que ele pegue em você'', explicou Tomás Dequech Garcia, 10 anos, aluno da 4 série.
O comerciante Pedro Dias da Costa, 64 anos, com problemas visuais desde os 20 anos, aprovou a visita das crianças: ''As pessoas devem aprender desde cedo que o deficiente é alguém normal com algumas limitações e que não faz sentido ter medo ou preconceito''.
Para a professora do instituto, Maria Cristina Oliveira Capelin, atividades como essa ampliam a compreensão e a capacidade para aceitar as pessoas com algum tipo de deficiência. Ontem, Cristina também teve uma reunião com uma representante do Instituto de Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), a engenheira Cristiane Piazoni, onde foram apresentadas sugestões como a colocação de placas em braile e pisos diferenciados nos pontos de ônibus.
Para o dia 4 de outubro está agendado o acompanhamento do percurso de alguns deficientes até o centro por representantes de órgãos ligados ao trânsito da cidade. O objetivo é definir soluções a partir da demonstração prática dos principais problemas de mobilidade enfrentados pelos deficientes.

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