Brincando elas aprendem a pedir socorro e recebem informações sobre prevenção de acidentes domésticos. Brincando elas também esquecem que vivem num bairro onde a criminalidade está presente e percebem que é possível mudar a realidade de suas pequenas vidas. Foi assim que cerca de 80 crianças da Zona Leste de Londrina passaram a tarde ontem, brincando e, ao mesmo tempo, falando de coisa séria. As atividades aconteceram no Jardim Pindorama, na sede do projeto social Galera de Deus, e reuniu homens do Corpo de Bombeiros. A corporação costuma fazer esse trabalho de prevenção em escolas públicas de Londrina e região.
Fantoches e música são os principais atrativos. O teatro ajuda a cativar crianças que, muitas vezes, têm dificuldade de enxergar uma realidade diferente da que vive: desemprego dos pais, irmãos envolvidos com drogas, entre outras situações de violência. Parte delas chegou no microônibus dos bombeiros e todas foram recepcionadas com uma farta mesa de lanche.
O sargento Valdeir Sampaio, que há 24 anos trabalha no Corpo de Bombeiros, ensinou os pequenos a importância de prevenir acidentes domésticos, além de incentivá-los a agir como cidadãos de bem. ''Em um atendimento, vi um bebê morrer no colo da mãe, no banco da frente do carro. Percebi que, por falta de informação e conscientização, as pessoas não evitam acidentes que podem ser fatais. Então resolvi levar a informação para as crianças e temos percebido uma ótima receptividade e integração'', comentou.
Sampaio visitou 300 unidades escolares em 2009 levando o projeto para crianças e adolescentes de toda região. ''Uma vez, falando sobre prevenção de incêndio, um menino chegou com a mão toda enfaixada, por causa de uma queimadura. Serviu de exemplo para todos que estavam ouvindo a minha palestra'', disse.
Ontem à tarde, Sampaio ensinou também noções básicas de primeiros socorros e as crianças simularam um atendimento com bonecos e outros utensílios. A pequena Naira Severiano, 10 anos, decorou o número 193 de emergência dos Bombeiros com a música e disse que se sente segura com a presença deles. ''Eles ajudam a salvar as pessoas, vão nos acidentes. Eu gosto dos bombeiros'', comentou, atenta às apresentações.
Maria Luiza Marinho, professora e uma das idealizadoras do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembrou que as crianças apareceram em uma outra reportagem da FOLHA se sentiram ''importantes''. ''São crianças que não sabem o que é um emprego formal, que não sabem o que é ter um carro ou uma casa porque vivem uma realidade muito complicada'', lembrou. ''Quando se viram no jornal se sentiram estimuladas a pensar em tudo isso, nos estudos e em um futuro melhor'', acrescentou.

Serviço - Interessados nas apresentações do Corpo de Bombeiros podem ligar para (43) 3373-2900.

mockup