Eleição despertou nos estudantes a idéia de pertencer a um contexto maior que o da escola que frequentam ou da cidade onde vivem
Curitiba - Crianças com idade a partir de 10 anos, alunas de escolas públicas ou atendidas por programas assistenciais de Curitiba e outros quatro municípios da Região Metropolitana, participaram pela primeira vez esta semana de uma eleição. Durante dez dias, elas conheceram as histórias de vida e o trabalho de três mulheres que coordenam, em diferentes países, projetos de defesa dos direitos da criança. E escolheram qual delas merece receber o Prêmio das Crianças do Mundo pelos Direitos da Criança, promovido pela organização não governamental Children's World, da Suécia.
Até amanhã, 5.250 eleitores terão depositado seu voto nas urnas de Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais, Balsa Nova e Rio Branco do Sul. A atividade nesses municípios foi coordenada pela organização não governamental Comitê para Democratização de Informática do Paraná (CDI-PR). Em Rio Branco do Sul, município que reúne o maior número de jovens eleitores (4.600), a votação foi encerrada na última quinta-feira em duas escolas. Aluna da 7 série do Colégio Estadual Zacarias Cardoso de Cristo, Sabrina Ribeiro de Faria, 13 anos, gostou da experiência. ''É uma oportunidade para todas as crianças conhecerem o que é votar e lutar pelos seus direitos, o que é o mais importante'', avalia.
Para a aluna Ana Paula Bonfim de Lara, 13, praticar o voto na escola ajuda a fixar o aprendizado sobre o funcionamento do processo eleitoral. ''Esse dia eu não vou esquecer nunca. Na sala de aula a gente está só pensando sobre isso, aqui estamos fazendo, passamos à ação'', justifica a estudante, que também participou como mesária. De acordo com a pedagoga do Colégio, Bárbara Gisele de Cristo, a eleição despertou nos estudantes a idéia de pertencer a um contexto maior que o da escola que frequentam ou da cidade onde vivem. ''Perceberam que participamos do resto do mundo. Estão todos muito empolgados para saber o resultado'', conta a pedagoga. Bárbara lembra que os alunos ficaram impressionados ao ver a cédulas impressas com as fotos das candidatas e nesse momento viram que a eleição era real. ''É enriquecedor'', observa.
A coordenadora do ensino fundamental da Escola Maria da Luz Cristo Lima, Elisangela Bonfim, também ressalta a motivação dos alunos, apesar da pouca idade. A escola participou da votação com os alunos da 4 série. ''Deu para sentir que ficaram bem interessados pelo trabalho'', afirma.
Já Paloma Aparecida Soares, 13, gostou de poder ajudar outras crianças. Assim como o colega Maurício Joel Moura Filho, 18, que já tem título de eleitor oficial. ''É interessante porque além de ajudar uma pessoa que precisa, ela vai ajudar cada vez mais pessoas a não ter uma infância como a dela'', afirma Maurício, explicando a escolha de sua candidata. As candidatas são Josefina Condori, do Peru, que atende crianças trabalhadoras no serviço doméstico; Agnes Stevens, dos EUA, que trabalha com crianças sem moradia fixa; e Somaly Mam, do Camboja, que atua junto a crianças vítimas de abuso, comércio e exploração sexual.
No Brasil participam cerca de cem mil crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas de 20 estados. O Prêmio das Crianças do Mundo pelos Direitos da Criança (World's Children's Prize for The Rights of The Child - WCPRC) é um projeto de comunicação mundial destinado ao público infanto-juvenil, na faixa etária de 10 a 17 anos, implantado em 80 países, por uma rede que congrega 15 mil escolas e 10 milhões de estudantes. Este ano estima-se que cerca de 7 milhões de crianças do mundo todo irão participar da votação. Informações no www.childrensworld.org.

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