Estudantes de primeira a quarta série do ensino fundamental do Colégio Estadual Vicente Rijo, no Centro de Londrina, participaram de uma aula diferente ontem à tarde: eles foram espectadores da peça ‘‘Pequena Família’’, apresentada por alunos do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os quais explicaram, de maneira lúdica, dicas de prevenção de queimaduras.
  Situações comuns na rotina das famílias, como cozinhar com o cabo da panela para fora do fogão ou com a colher dentro da panela, verificar se o gás acabou acendendo um fósforo, usar álcool líquido na limpeza da casa, deixar tomadas expostas ou utilizar produtos caseiros na pele ao sair no sol, foram abordadas no teatro, que contou com dois anjos da guarda para alertar os pais da história sobre os cuidados com o filho levado.
  ‘‘Achei bem legal, já sabia que não pode usar álcool para limpar e que devemos passar protetor solar na praia’’, disse Beatriz Aparecida Gomes dos Santos, 9 anos, que já viu um botijão de gás explodir, mas nunca se queimou.
  Já o colega Thiago Cassini dos Santos, 8, lembrou de quando queimou o braço ao encostar numa panela quente que estava no fogão. ‘‘Aprendi que não se pode usar qualquer produto na pele ao sair no sol’’, destacou.
  Ensinar as crianças é um modo de perpetuar a informação para os adultos, especialmente os pais, justificou a enfermeira-chefe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Elza Anami, que colocou os pequenos na categoria de formadores de opinião.
  ‘‘Também é importante capacitar agentes comunitários de saúde e líderes da pastoral da criança, pois eles têm acesso às residências e estão mais próximos da população para poder passar a mensagem’’, explicou.
  É o que pretende o Movimento de Prevenção de Queimaduras, criado pelo CTQ em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Ambiental, Social, Sustentável (Ideass), o qual realiza ações educativas na cidade desde a semana passada e pretende tornar a campanha perene nos próximos anos, aproveitando, inclusive, o projeto de lei que prevê a criação da Semana Municipal de Prevenção à Queimaduras pela Prefeitura.
  Segundo a pediatra Rosana Hashimoto, as estatísticas revelam apenas os casos mais graves, que chegam para tratamento especializado. ‘‘Sabemos que 60% das queimaduras em crianças são perfeitamente evitáveis e acontecem basicamente em comunidades carente’’, informou a médica, acrescentando que o problema de saúde pública é aliado do baixo nível de escolaridade e da pobreza.
  ‘‘De 0 a 3 anos, 90% dos acidentes são por escaldaduras, quando líquidos quentes, como água, leite, café, caem sobre a pele’’, reiterou Rosana, completando que em crianças com mais de três anos, os acidentes envolvem explosão ou contato com chama direta, especialmente álcool líquido.

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