Durante a visita da reportagem à reserva, jovens e crianças fizeram questão de mostrar a dança e a música aprendida por eles, que está sendo ensinada pelos adultos e pelas aulas ministradas pelo professor Caludinei Ribeiro Alves. Sem carteiras ou quadro negro, a sombra das árvores serve de classe para ensinar a língua.
Na apresentação, o violão de Claudinei é acompanhado por chocalhos manuzeados pelos índios mais velhos, entre eles o pajé ou Txeru, Adilson Norato, de 47 anos, responsável pelas rezas, batismos e interpretação de sonhos, que previnem a tribo dos perigos.
A dança começou com 15 indiazinhas, caracterizadas com pinturas e vestimentas criadas por elas mesmas. Saias feitas de folhas de taboa, roupas tingidas, cocares com contas do mato e a pintura no rosto, completam a endumentária para o ''Xandaro'', a Dança da Guerra.
Com gestos tímidos, as meninas começam os primeiros passos, descalças, no terreno que antes servia para a secagem do café. Aos poucos os meninos se juntam ao grupo. Arcos e flexas, passam a complementar os assessórios. As vozes também são tímidas, mas mostram a intimidade com a língua guarani, inclusive entre os menores.
Marister tem apenas seis anos. É a mais nova do grupo e se apresenta com seriedade debaixo do sol forte. Para a pequena índia, uma diversão, quase uma brincadeira de criança, que naturalmente, vai ajudar a manter a tradição dos ansestrais.
Pergunto a ela se a música agrada e se ela está aprendendo a língua guarani. Ela afirma que sim e ganha reforço de outras meninas, que afirmam viver melhor na terra onde estão agora. (M.O.)

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