Crianças ajudam no combate à dengue
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina - Com asas, bicos e roupas listradas, 11 crianças chamaram a atenção de quem passou pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor ontem de manhã. O reforço no combate à dengue só foi possível após um trabalho de conscientização realizado no Centro de Educação Infantil Antônio Augusto Faria, que fica no mesmo bairro na zona oeste de Londrina. A lição repassada aos alunos estava na ponta da língua: "A gente tem que tirar a água do potinho, se não o bicho cresce, morde e a gente pode ficar doente", explicou Kevin Garcia, de apenas 5 anos.
As crianças contaram com a ajuda da agente de Endemias Lucimara Cândida Vasconcelos, que atua como educadora no Jardim Leonor, no Jardim do Sol e na Vila Nova. A "tia da Dengue", como é chamada pelas crianças, realiza palestras e ações em creches, escolas, igrejas e empresas. A expectativa é reduzir os riscos de uma nova epidemia em Londrina. Só o Jardim Leonor acumula 142 casos confirmados da doença desde janeiro. "Com esse trabalho, por exemplo, as crianças passaram a orientar os pais, os vizinhos, os parentes e isso acaba formando uma corrente para evitar o Aedes Aegypti", comemorou Lucimara.
Os alunos, com idades entre 4 e 6 anos, entregaram panfletos com explicações sobre os cuidados básicos para eliminar focos do mosquito da dengue. Nataly Silva, de 4 anos, contou que é fácil. "É só não deixar lixo no quintal porque o mosquito deixa ovinhos e depois fica enorme", disse a estudante, apontando para uma maquete sobre o ciclo de evolução do Aedes aegypti.
A professora Ródia Jordão lembrou que o trabalho só foi possível com o apoio das secretarias municipais de Saúde e de Educação. Durante o ano, as crianças levaram materiais recicláveis, ajudaram na confecção das fantasias, fizeram desenhos e participaram de várias ações com a comunidade. "Profissionais do posto de saúde ajudaram a gente a desenvolver as atividades. Algumas crianças contam que não tem mais lixo em casa e os pais nos dizem que mudaram os hábitos. Foi muito gratificante. Vamos continuar no ano que vem", garantiu a professora da CEI Antônio Augusto Faria.
A aposentada Irma Martines, que mora no Jardim Leonor, já sabia das recomendações repassadas pelas crianças. Segundo ela, o quintal da própria casa está limpo, mas o descuido dos vizinhos a deixa assustada. "As pessoas só se preocupam quando tem mais casos pela cidade. Tenho muito medo de pegar dengue", confessou.
A dona de casa Maria Lucia Barreto, contou que flagra constantemente pessoas que jogam lixo no chão da praça que fica a algumas quadras do posto de saúde. "Eles não percebem que um copinho de plástico pode ser um foco de dengue", afirmou.


