No Conjunto Novo Amparo (zona leste de Londrina), todo mundo conhece alguém que ficou doente de dengue. Entre a garotada, então, é regra. Wesley da Silva, 8 anos, lembra do seu tio Ulisses, que ficou de cama. Jonathan Silva, também de 8 anos, lembra do Miltão, um conhecido da vizinhança. Bruno Henrique de Oliveira José Rodrigues, 8 anos, cita a Josiane. Eles fazem parte do grupo de 28 crianças, entre 7 e 14 anos, que tornaram-se ontem pela manhã pequenos agentes de saúde, fiscalizando casas e terrenos para acabar com focos do mosquito Aedes aegypti.
Os pequenos foram divididos em grupos de cinco e desenvolveram seu trabalho pelas ruas do Novo Amparo. Cada um trajava seu avental de agente da dengue, de cor vermelha, branca ou amarela. A preocupação era grande. Afinal, são 71 casos confirmados somente no bairro. ''Até a presidente do bairro ficou doente'', conta Andreia Souza, professora de teatro dos meninos, que são atendidos pelo Projeto Viva Vida. Ela disse que, com a preocupante incidência de casos, os coordenadores locais do projeto contactaram o setor de controle de epidemias da Secretaria Municipal de Saúde, solicitando uma palestra.
Na sexta-feira passada, a turma aprendeu sobre a doença e a prevenção. Também confeccionou cartazes e um mosquitão grande, cópia aumentada do sorrateiro Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. ''Mosquito, você é pequeno demais para fazer estragos tão grandes. Cai Fora!'', dizia um dos cartazes, botando medo até nos maiores pernilongos. Antes de sair a campo, os garotos receberam instruções dos agentes municipais. ''Cuidado com os cachorros bravos. Onde tiver cachorro bravo, não entrem'', advertiu Célio de Souza, supervisor da equipe de combate à dengue.
De caderno e caneta em punho, eles percorreram ruas específicas. O grupo de Bruno, Jonathan e Wesley andou pela Rua Kirio Miyamura. Lá, disseram, morava um amigo infectado pela dengue. Quintal por quintal, o exame foi munucioso. Numa das casas, encontraram dois recipientes descobertos, possíveis focos do mosquito. Cuidadosamente, a informação foi repassada para os caderninhos.
''Tia, a gente veio ver se tem dengue!'', anunciou Merain Caroline dos Santos, 8 anos, à dona da casa nº 190. Ali, o cuidado principal foi com as garrafas. A amiguinha Jeciele Ribeiro, 7 anos, também verificava cada pequeno objeto depositado em volta da construção. Afinal, a poucos metros dali, duas pessoas tinham ficado doentes. ''O mosquito pode ter vindo daqui'', lembrou.

mockup