Criança tem medo de ser desacreditada
Segundo a psicóloga especialista em violência doméstica contra a criança e o adolescente, Cristina Fukumori Watarai, há diversos fatores que impedem a vítima de denunciar o abuso sexual. O primeiro deles seria o fato de a sexualidade ainda ser tratada como um tabu e, por isso, pouco discutida. O medo de ser desacreditado, principalmente se for uma criança, é outro fator. "Ele é meu pai, quem vai acreditar em mim?", exemplifica.
Ameaças implícitas ou explícitas do agressor, especialmente se for alguma autoridade, como o pai, também fazem com que a vítima se cale. Além disso, o vínculo com o agressor, o medo de ser punida e a liberdade que a vítima tem para conversar em casa também são fatores importantes, de acordo com a especialista.
"A vítima tem medo do que vai acontecer se falar, ela quer manter a família unida e muitas vezes se sente culpada por ter fragmentado o lar. Além disso, também pode acontecer de a vítima se acostumar com o abuso. Ela vive aquilo tanto tempo que se adapta, mas nem por isso ela é menos vítima", alerta. Também por esse motivo, mesmo adolescentes e jovens adultos podem ter dificuldades de contar os abusos, porque não têm maturidade emocional para lidar com o problema.
Para conseguir denunciar, a vítima necessita sobretudo do apoio de outra pessoa. "Ela precisa ver que não está sozinha, que terá a força do outro para ajudá-la a enfrentar a situação. Até porque o agressor usa da estratégia de isolar a vítima para que não tenha como pedir socorro", ressalta Cristina.
Segundo ela, é muito importante que professores, amigos e familiares tenham sensibilidade para perceber qualquer problema e fazer a denúncia para os órgãos competentes. Mudança brusca de comportamento sem motivo aparente, desenvolvimento sexual atípico, se esquivar quando questionada sobre problemas familiares, comportamentos erotizados, entre outros, são sinais de alerta. "Não há necessidade de ter certeza do abuso, a simples suspeita já deverá ser notificada. Mas é preciso muito cuidado para quem é feita a denúncia, a família não deve ser abordada diretamente, já que pode acarretar em risco para a vítima." (E.G.)





