Criança também tem enxaqueca
Especial para a Folha
Nem todos os pais levam a sério as queixas dos filhos sobre dores de cabeça. Acreditam que logo o problema passará, mas nem sempre isto acontece. A importância de um diagnóstico precoce é fundamental, diz a neuropediatra Taisa Razera Simões de Assis, já que o terceiro tumor mais frequente na infância é o cerebral. Com 10 anos de experiência na área, ela conta que 30% das queixas que recebe no atendimento geral, é relativo à enxaqueca.
Taisa Assis diz que o tratamento depende do quadro do paciente e a intensidade da crise. Para alguns basta a suspensão de determinados alimentos, principamente corantes e condimentos. Os sintomas - desde vômitos a formigamentos na face - aparecem mais na idade escolar, dos 7 aos 15 anos. Pesquisas mundiais apontam que 53% das crianças com esta faixa etária têm a doença e os fatores genéticos surgem em 70% a 90% deste total.
A estudante Priscilla Ávila César, 15 anos, faz parte desta estatística. Avó e bisavó maternas sabem o que é enfrentar as crises crônicas. Há dias em que a menor não consegue assistir todas as aulas. Meus olhos escurecem e não consigo ler direito. Priscilla acredita que as crises estão relacionadas às tensões diárias.
A estudante não faz regime alimentar e gosta de comida com bastante sal. Costuma controlar a enxaqueca, que surgiu aos 12 anos, com aspirinas. O estresse antes de provas escolares, por exemplo, e o consumo de alimentos industrializados são algumas das causas ligadas aos atuais casos da enfermidade.
Diagnóstico - Estima-se que entre 5% e 10% das dores de cabeça em menores são enxaquecas. O diagnóstico da doença pode ser feito em crianças a partir de 3 anos. Quando a enxaqueca surge a vida social acaba afetada, já que o menor se irrita facilmente, torna-se pouco participativa e agressiva. A chance do problema continuar na vida adulta existe, mas não há como se prever. A evolução da enxaqueca é variável. Alérgicos a odores fortes, poluição e fumaça de cigarro são mais predispostos a desenvolvê-la. Um dado positivo é que ainda predomina o controle com medidas preventivas mais naturais, como o simples ato de se expor ao sol protegido por boné ou chapéu. Enlatados, molhos chineses, mostardas e frutas cítricas, derivados do leite, chocolates, café, fazem parte das comidas que devem ser abolidas. Existem pessoas que têm dores de cabeça ao comer tomate. Há também a síndrome da enxaqueca do restaurante chinês, diz Thaisa Assis. Para se chegar às causas das dores, é preciso um exame neurológico e avaliar o histórico do paciente.
Tanto em adultos como nas crianças o quadro da enxaqueca é praticamente o mesmo, mas na infância ela tem variáveis que podem confundir o diagnóstico. O tempo de duração de uma crise pode variar de 30 minutos até três dias.
Noelle Guimarães Motter, 13 anos, descobriu que tinha enxaqueca há 24 meses e o caso é genético, já que o pai Ernani, 43, sofre com os sintomas. Por enquanto, não chega a atrapalhar o desempenho escolar, diz a mãe, a designer Márcia, 40. Segundo a neuropediatra, não existe criança propensa a ter a doença, mas há fatores contribuintes como falta de sono, estresse físico e mental, vida familiar conturbada e alimentação inadequada.





