Já é rotineiro e alentador ver que motoristas e passageiros de veículos de passeio acionam o cinto de segurança assim que entram no carro, num costume bastante saudável resultante do Código Brasileiro de Trânsito. Porém, é preocupante perceber que esse cuidado se limita aos adultos que viajam no banco dianteiro. É muito comum ver carros circulando pela cidade e até por estradas, com crianças de 2, 3 ou 5 anos soltas à própria sorte no banco traseiro do carro, como se a inocência delas – que não conhecem as leis de trânsito em vigor – fosse suficiente para protegê-las do perigo.
Pais e ‘‘responsáveis’’ agem como se a possibilidade de ocorrer ferimentos graves ou até a morte dos seus pequenos fosse absolutamente remota. Embora não se tenha notícia de que crianças morrem com frequência em acidentes de trânsito, é bom lembrar que a perda de pessoas com a vida inteira pela frente é um acontecimento trágico que marca profundamente a vida de famílias inteiras. Sem falar no trauma e no sofrimento das crianças que se machucam nos acidentes.
Outra cena bastante comum são bebês transportados no colo de um adulto no banco dianteiro do carro, como se o aconchego do colo da mamãe ou da vovó também livrasse a criança de uma tragédia.
Dá-se pouca ou nenhuma importância aos estudos que mostram o que acontece com uma pessoa solta dentro de um veículo no caso de uma colisão. Pesquisas demonstram que com o carro a uma velocidade entre 30 e 50 quilômetros por hora, as forças que atuam sobre o corpo humano podem alcançar o peso de uma tonelada ou mais. Com o dobro da velocidade, as forças podem quadruplicar. Então, antes daquele passeio descompromissado no domingo à tarde, ou de sair apressado para deixar as crianças na escola, é bom refletir sobre o que significa esse ato, aparentemente banal.
Há no mercado inúmeras opções para gostos e bolsos de cadeiras apropriadas para o transporte de crianças. Os carros, mesmo os mais antigos, dispõem de cintos de segurança que devem ser ajustados de acordo com a idade do passageiro. Usar o cinto e outros dispositivos de segurança é só uma questão de hábito. Ou de consciência.

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