Criança superdotada exige cuidados
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
Aquele que é dotado de inteligência superior a média. É assim que o dicionário Houasiss e outras fontes de informação define o superdotado. O notável desempenho e a elevada potencialidade em diferentes aspectos, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), pode caracterizar uma criança superdotada e talentosa.
Definições à parte, o fato é que o superdotado, devido às altas habilidades, chama a atenção e é exaltado mundo afora. Passar no vestibular antes de ingressar no ensino médio, ser alfabetizado precocemente e ter facilidade em operações matemáticas são apenas algumas de suas proezas.
O assunto, apesar de já ter sido tratado em livros e filmes, ainda é rodeado de mitos e suposições. De acordo com Fabiane Chueire, responsável pela área de altas habilidades e superdotação do Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE), há muitas ideias errôneas sobre o assunto. Ela explica que a superdotação decorre de três fatores: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade.
O grande diferencial para a identificação do aluno com altas habilidades é a observação de quem atua diretamente com ele, coloca Fabiane, acrescentando que após a identificação, o aluno da rede pública de ensino é encaminhado ao Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que atende no Colégio Estadual Vicente Rijo, na Área Central, e é vinculado à Secretaria de Educação do Paraná.
Rosinéia Ferreira Fujita, coordenadora pedagógica do NAAH/S, esclarece que o objetivo do serviço é oferecer suporte no atendimento aos alunos com altas habilidades, visando impulsionar ações de implementação das políticas de inclusão. A criança é atendida duas vezes na semana, fala Rosinéia, ressaltando que os alunos são divididos em turmas de primeira a quarta série e de quinta a oitava. Segundo ela, devido à demanda, o atendimento do NAAH/S será ampliado. Está sendo implantada uma sala de recursos específica para o ensino médio, coloca.
A professora e especialista em educação especial, Josiane Maria Sichieri, afirma que as atividades do NAAH/S são voltadas, especialmente, ao raciocínio lógico, estimulando a criatividade e o potencial de exploração da criança. Serve como um enriquecimento curricular, coloca Josiane.
Os professores do NAAH/S precisam ter curso superior com especialização em Educação Especial e recebem formação específica ofertada pelo Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação do Paraná (SEED/DEEIN). Além dos alunos com altas habilidades/superdotação da rede estadual de ensino, o NAAH/S também atende os casos encaminhados pela rede municipal.
Superdotada ou superestimulada?
Para Alexandra Biral Faconti, psicóloga especialista em educação especial, psicopedagogia e psicologia clínica, antes de fechar um diagnóstico de superdotação é preciso observar cuidadosamente diversos fatores. Deve-se verificar se a criança é superestimulada ou, realmente, superdo-tada, coloca, enfatizando que em alguns casos os pais acabam enaltecendo e sobrecarregando excessivamente o filho.
Porém, se a superdotação for diagnosticada, a especialista chama a atenção para a necessidade de não cobrar demais a criança. Nesses casos, os pais devem oferecer oportunidades para a criança desenvolver seu pontencial sem que ela se sinta diferente, afirma. A psicóloga também aconselha a não fazer diferença entre a criança com altas habilidades e as demais. Ela deve ser educada normalmente, recomenda.
Alexandra ressalta que toda criança inclusive as superdotadas deve brincar o máximo e não ficar restrita às atividades da área acadêmica. Para ela, cabe aos pais estimularem o lúdico, que, de acordo com a especialista, ensina e muito os pequenos.Brincando a criança enfrenta obstáculos, aprende a lidar com a frustração e a ser persistente, coloca.


