Uma menina de um ano e três meses de idade será entregue à mãe, Maria de Lourdes Queiroz de Souza, 21 anos, depois de ficar 14 meses em poder de um outro casal em Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão). A menina A.P.R.S. foi retirada da mãe quando tinha apenas 20 dias de vida. O juiz da cidade, José Roberto Silvério, determinou que a criança fosse entregue ontem à mãe, o que não havia acontecido até o final da tarde.
‘‘Se o dia terminar e a criança não for levada à mãe, vou entrar com um pedido de busca e apreensão’’, disse ontem o advogado de Maria de Lourdes, Milton José Ferreira. O casal que está com a criança, José Martins da Cruz e Maria Martins de Araújo, mora no distrito de Paraíso do Sul e a mãe biológica diz que nunca mais pôde ver a filha. ‘‘Ela nem me conhece mais’’, reclama a mãe. Maria de Lourdes afirma que foi pressionada pelo Conselho Tutelar a entregar a criança.
A mãe conta que desde o sétimo mês de gravidez vinha sendo pressionada pelo presidente do Conselho, Nélson Ferreira, a não ficar com a criança. O conselheiro dizia, segundo Maria de Lourdes, que ela era prostituta e que já havia perdido um filho de 2 anos que ingeriu agrotóxico, não tinha como cuidar da criança. ‘‘Não existe lei que proíba uma prostituta de ser mãe’’, ressaltou ontem o advogado de Maria de Lourdes.
No pedido para que a menina seja devolvida à mãe, Milton José Ferreira alega que o presidente do Conselho Tutelar agiu de forma arbitrária ao usar o poder do seu cargo para ‘‘arrancar dos braços’’ da mãe a filha recém-nascida. Maria de Lourdes conta que chegou a ser levada por uma viatura da Polícia Civil de Fênix, onde teve o bebê, até o Conselho Tutelar de Barbosa Ferraz.
O juiz José Roberto Silvério frisou em seu despacho que Maria de Lourdes merece uma chance de demonstrar que pode ser uma ‘‘mãe verdadeira’’. O juiz lembrou que ela não leva mais uma vida ‘‘desregrada’’. - Maria de Lourdes vive hoje com o tratorista Valdir Rodrigues de Souza, 40 anos, que registrou A.P.R.S. como sendo sua filha.
O presidente do Conselho Tutelar, Nélson Ferreira, disse ontem que o órgão só entrou na história porque recebeu a denúncia de que Maria de Lourdes estava vendendo a filha dentro do hospital, em Fênix. ‘‘Foi por isso que a polícia foi chamada e ela trazida até o Conselho Tutelar de Barbosa Ferraz’’, explicou. Ferreira afirmou que Maria de Lourdes está sendo usada politicamente.
Segundo o conselheiro, foi Maria de Lourdes quem se queixou que a dona do prostíbulo onde trabalhava, em Barbosa Ferraz, não a aceitaria mais com a criança e que, por isso, apareceu com o casal de Paraíso do Sul dizendo que eles poderiam ficar com a guarda da menina. ‘‘Eu nem conhecia esse casal. Quem deu a guarda foi o juiz. Não tenho nada a ver com isso’’, frisou.

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