''Corre que o Lucas tá queimando.'' Desde que ouviu o chamado desesperado dos vizinhos, há 19 dias, a diarista Maria Aparecida de Souza, 53 anos, nunca mais teve sossego. Depois de ver o filho de 11 anos ter quase metade do corpo incendiado durante uma perigosa brincadeira, dona Cida vive a angústia de não ter dinheiro para bancar seu tratamento. Ontem, Sexta-Feira da Paixão, ela decidiu pedir ajuda.
Lucas continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico (HE). Segundo a mãe, ele já respira sem a ajuda de aparelhos, mas sente muita dor. ''Os médicos disseram que ele não corre perigo de morrer, mas que quando sair vai precisar de remédios, cirurgias plásticas e psicólogo'', listou. Teoricamente, a rede pública deveria prover tudo isso. Mas uma mulher que sustenta o filho com R$ 170,00 por mês sabe que nem tudo funciona como deveria no Brasil.
Cida havia acabado de chegar do trabalho, por volta das 19 horas de uma segunda-feira, quando soube da tragédia. Correu até a casa de uma vizinha, no Jardim Tókio (Zona Oeste), e encontrou a criança em estado de choque, com rosto, tronco e pernas queimados. ''De repente vi ele subindo a escada dos fundos, em chamas. Jogamos um balde d'água nele e tiramos sua roupa. Foi tudo muito rápido'', contou Norma Sueli Pereira, dona da residência onde ocorreu o fato.
Segundo um dos filhos da vizinha, que brincava com Lucas e mais um amigo, o trio teria encontrado um frasco de álcool numa viela e usado o combustível para acender uma fogueira nos fundos da casa de Norma. ''A gente estava sentado em volta do fogo, contando histórias de terror, quando o vidro de álcool tombou e se espalhou. Fez aquele barulhão. Fechei os olhos e quando abri o Lucas já estava queimando'', lembrou o colega.
Já a mãe da vítima disse ter ouvido de testemunhas que um outro garoto, residente numa rua próxima, teria jogado álcool no menino. ''Meu filho é muito quietinho, não é de aprontar. Ele diz que não se lembra de nada'', comentou Cida. Uma filha de Norma, que viu o colega queimando e estuda a 3 série na mesma sala que ele, disse que a turma toda ficou abalada. ''Nem dormi à noite, lembrando da cena'', relatou.
O pai de Lucas vive em Apucarana e, segundo a mãe, não tem contato com o garoto. A renda de diarista, com a qual paga aluguel e sustenta a criança, está ameaçada. ''Desde que aconteceu o acidente eu não trabalho, porque tenho que ficar no hospital com meu filho. Ele não fica reclamando, mas chora. Dá dó.'' Durante o feriado, a reportagem não conseguiu falar com nenhum médico responsável pelo caso no hospital.

Serviço:
Quem quiser ajudar Lucas pode ligar para (43) 3338-9965 ou procurar a mãe, Maria Aparecida de Souza, no Hospital Evangélico (HE). O telefone é (43) 3378-1000.

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