Para a psicóloga Gislene Isquierdo, a educação determina o caráter das crianças. ''Podemos observar famílias com vários filhos em que um ou mais são tímidos ou egoístas. E também famílias formadas somente pela mãe e um filho, na qual a criança é amável, fácil de se relacionar, doadora'', cita.
''O importante é que mesmo sendo filho único, a criança possa interagir com outras crianças, para não crescer somente no meio de adultos. E isso sucessivamente em cada faixa etária: adolescentes convivendo com adolescentes, entre outras coisas'', sugere a psicóloga.
Conforme Gislene, os educadores, que podem ser pai, mãe, avós, tios, entre outras figuras, proporcionem à criança um contexto no qual ela possa desenvolver comportamentos adequados ao seu convívio social de forma geral. ''Importante é que essa criança seja amada incondicionalmente e isso não quer dizer aprovar suas artes. Que tenha a certeza de que nesse ambiente ela é acolhida e pode contar com as pessoas que cuidam dela'', diz.
''Lógico que se houver a possibilidade de a criança ser cuidada por uma família 'completa', com mãe, pai, irmão, tios, sobrinhos, avós, etc, isso proporcionará uma riqueza maior de contatos afetivos e ela terá a oportunidade de aprender uma gama maior de comportamentos, tudo dentro do seu contexto familiar'', completa Gislene.
Segundo ela, a criança precisa de modelos, de exemplos, de espelhos. ''Prejuízo é a terceirização da educação: pais que delegam aos profissionais a responsabilidade de educar os seus filhos.''
Ainda de acordo com a psicóloga, toda criança precisa ter segurança nos seus cuidadores e isso implica poder confiar de que eles serão verdadeiros com ela e não omitirão informações importantes, como um caso de adoção, por exemplo. ''Forçar alguém a passar um tempo com seu próprio filho é algo horrível. A criança entende, sente e vê tudo'', conclui.

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